Topo

Homem pode ser feminista? Confusão com Rodrigo no BBB levanta dúvida

Rodrigo elogia Rízia: ele passou do limite na festa? - Reprodução/TvGlobo
Rodrigo elogia Rízia: ele passou do limite na festa? Imagem: Reprodução/TvGlobo

Ana Bardella

Colaboração para Universa

02/03/2019 04h00

No Big Brother, as festas sempre rendem assunto: alguns positivos, outros nem tanto. Depois de Maycon insistir diversas vezes para beijar Isabella, foi a vez de Rodrigo se envolver em uma polêmica sobre consentimento no reality.

Durante a última confraternização, alguns dos confinados brincaram de dar selinhos uns nos outros. Rízia e Rodrigo também participaram: mas quando a jornalista se aproximou, ele colocou a língua para fora, como se estivesse disposto a dar um beijo de língua.

A jornalista se surpreendeu e, na mesma hora, falou sobre o que aconteceu com Gabi, dando risada. Em outro momento, ele a chamou para dançar, pegando no seu braço, mas ela o afastou. Rodrigo reagiu dizendo "Não tira a mão não". Também reclamou: "O galego pode" - fazendo referência a Alan, que já havia dançado com ela.

Antes que o programa exibisse as cenas na íntegra, trechos cortados da festa circularam pela internet, dando margem para todo tipo de interpretação - e causaram espanto no público, que o acusou de assediar a jornalista. Afinal, Rodrigo atua como professor de direitos humanos e já deu diversas lições sobre temas importantes, como o racismo, em frente às câmeras. Logo, essa postura não seria condizente com o seu discurso.

Apesar de cada um ter tirado suas próprias conclusões após ver as cenas completas, com a confusão, muita gente se perguntou: existem limites nas brincadeiras entre amigos? Até onde vai a consciência de um homem sobre a desigualdade de gênero? E homens podem ou não ser considerados feministas? 

Proximidade não é liberdade

De acordo com Aliesh Costa, psicóloga e coach da Carpedim Desenvolvimento, situações de assédio também podem ocorrer entre amigos. A chave para identificar fatos desse tipo está na negativa: "Uma vez que o 'não' foi estabelecido, é necessário respeitar os limites que foram apresentados, sem importar o grau de proximidade entre os envolvidos", garante. Já na opinião de Tânia Cristina Campanharo, psicóloga e analista, quando uma mulher sofre um assédio por parte de um amigo, a experiência pode ser dolorida. "Isso fere os sentimentos e desperta uma sensação de traição", detalha. 

Álcool não isenta de culpa

Na festa citada, tanto Rodrigo quanto Rízia haviam consumindo bebidas alcoólicas. Mas, como lembraram familiares e amigos que cuidam das redes sociais do rapaz, o álcool pode influenciar no comportamento, mas não o justifica. "O efeito no corpo pode prejudicar o a forma de agir, trazendo a tona coisas que antes estavam guardadas", explica Livia Marques, coach e psicóloga organizacional e clínica. No entanto, a profissional relembra: "Qualquer um continua tendo responsabilidade pelos seus atos, mesmo estando sob os efeitos da bebida". 

Papel do homem no feminismo

As três profissionais concordam: não é possível um homem ser considerado feminista. "O machismo vem do inconsciente. Um homem jamais saberá o que é sofrer assédio, violência física ou humilhações no ambiente de trabalho pelo seu gênero", diz Tânia. "Em algum momento, mesmo tendo consciência das desigualdades de gênero, os homens podem cometer atos machistas, uma vez que tais comportamentos são naturalizados na nossa sociedade", complementa Aliesh. 

Isso não quer dizer, no entanto, que eles não tenham participação no assunto. "É possível desenvolver empatia e compaixão, se mobilizando para auxiliar na melhoria de vida das mulheres", ressalta Lívia. "Como exemplos práticos desse tipo de atitude, podemos citar: assumir a responsabilidade pelas tarefas do lar que lhes dizem respeito, não se sentir intimidado por mulheres em cargos superiores no trabalho ou respeitar o momento delas de falarem durante um debate", completa Aliesh. Através de atitudes como estas, a profissional defende que as pessoas do sexo masculino também contribuem para a desconstrução do machismo.