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Única mulher do conselho: quem é Ilona Szabó, vetada no governo Bolsonaro

Ilona Szabó - Ricardo Borges/Folhapress
Ilona Szabó Imagem: Ricardo Borges/Folhapress

Marcos Candido

Da Universa

01/03/2019 08h59

Ilona Szabó recebeu um telefonema do ministro Sergio Moro nesta quinta (28).

Em pouco menos de 24 horas, a especialista em segurança pública teve seu nome confirmado e desconfirmado como suplente no conselho de Moro que iria estudar justamente o tema ao qual ela dedica sua vida: segurança pública.

"Eu seria a única mulher do conselho. E acredito que representatividade é importante ao debate público", defende a cientista social de 40 anos.

Governo sem debate

Ao telefone, Moro anunciou a saída. Ela propôs manter um canal de diálogo. "Tenho bandeiras -- como o combate ao crime organizado e à corrupção -- apresentados pelo ministro que vão em sintonia ao que temos estudado para tornar o Brasil mais seguro", diz. O combate à corrupção era a principal bandeira da campanha do presidente.

Sobre a exoneração precoce, Ilona reflete: "era a abertura do governo para um debate plural e democrático. Eu lamento".

Em nota, o ministério admitiu que o recuo foi realmente devido às críticas. Bolsonaristas protestaram nas redes sociais contra a nomeação. O deputado federal Eduardo Bolsonaro inclusive comemorou sua saída nas redes sociais nessa sexta (1°).

"Diante da repercussão negativa em alguns segmentos, optou-se por revogar a nomeação, o que foi previamente comunicado à nomeada e a quem o Ministério respeitosamente apresenta escusas".

Ilona diz não ser contra uma discussão da posse de arma de fogo, como alardeado nas redes sociais, mas critica a maneira como o decreto foi assinado por Bolsonaro em janeiro. Afirma que o presidente perdeu a oportunidade de discutir questões como o controle do porte da arma de fogo, e também da violência doméstica.

"Não foi discutida, por exemplo, qual o impacto e as consequências sobre as famílias", defende. Especialistas em segurança pública acompanham com cautela como a medida poderá ter impacto em feminicídios.

"Moro disse que isso ainda dará muita discussão no Congresso", ressaltou. Os dois se conheceram em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial em janeiro.

Especialista em conflito

Filha de um engenheiro e uma jornalista, Ilona começou a estudar o tema de segurança pública no início dos anos 2000 após ler uma reportagem sobre antropologia. Aos 24, já fazia um mestrado em Estudos de Conflito e Paz na Suécia.

Já coordenou o secretariado da Comissão Latino-americana sobre Drogas e Democracia, liderada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (Brasil) e lançou um livro sobre a guerra às drogas, cujo prefácio é assinado pelo médico Drauzio Varella. É cofundadora do Instituto Igarapé, instituto que se dedica a pesquisar sobre segurança pública e difundir esses conhecimentos. Conhecido como 'think tank', algo que pode ser traduzido como 'ambiente para pensar', o Igarapé tem influência internacional.

Huck presidente?

Segundo uma reportagem publicada pela "revista piauí" em abril do ano passado, Ilona também foi uma das criadoras do "Agora!", um movimento de formação política liberal que costurou, sem sucesso, a candidatura do apresentador Luciano Huck à presidência. A publicação também afirma que Ilona tentou levar filiados do Agora! ao PPS, presidido pelo então deputado Roberto Freire. Presidente da sigla e ex ministro da Cultura de Michel Temer, Freire saiu em defesa de Ilona nas redes sociais.

O conselho do qual Ilona faria parte é ligado ao Depen (Departamento Penitenciário Nacional). O grupo avalia o sistema penitenciário, propõe diretrizes da política criminal, faz inspeções e fiscalizações de estabelecimentos penais.

A designação de Ilona havia sido publicada no Diário Oficial da União de quarta-feira (27). Outros oito membros haviam sido nomeados e cinco, reconduzidos. O diretor presidente do Fórum de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, se desligou do grupo após o recuo do Ministério sobre a participação de Ilona.

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