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Teile e zaga: quem é Alcione Alves, criadora das gírias que bombam no Insta

Alcione Alves, de 29 anos, é sucesso no entretenimento de redes sociais - Arquivo Pessoal
Alcione Alves, de 29 anos, é sucesso no entretenimento de redes sociais Imagem: Arquivo Pessoal

Talyta Vespa

Da Universa

29/08/2018 04h00

De seu quartinho no Recife, em Pernambuco, a estudante Alcione Alves, de 29 anos, grava narrações para coreografias que bombam no Instagram. Responsável por fazer com que viralizassem as gírias "teile", "zaga" e "laga", inventadas por ela mesma, a jovem não imaginava que a fama chegaria -- muito menos tão rápido. Ela publicou o primeiro vídeo em maio e já conquistou quase meio milhão de seguidores. Entre eles, Taís Araujo, Lázaro Ramos e Bruna Marquezine. A fama repentina já rendeu participação no programa de Fátima Bernardes.

Alcione explica o que significam as palavras: “Teile é quando você dá uma empinada bruta na bunda. Zaga é quando desce e empina de lado. Laga... Ah, não vou conseguir te explicar sem mostrar", ri. A propósito, o movimento "laga" lembra o quadradinho: uma rebolada bem acentuada. 

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Além de serem marca registrada da narração de Alcione, as gírias viraram música. A banda baiana La Fúria lançou a canção “Teile & Zaga”, que Alcione espera, ansiosamente, que se torne hit do Carnaval 2019. A ela, coube a participação no clipe e os direitos autorais. “Agora é rezar para bombar”.

As orações ficam por conta de dona Aurelita Alves, 52 anos, mãe de Alcione. Evangélica, ela hesitou um pouco em dançar a música em homenagem à filha. Contudo, foi só acompanhar a cria na gravação do clipe que o hit não saiu mais da boca da mamãe-coruja. “Minha mãe morria de medo de aparecer em vídeos por causa da igreja. Agora, ela nem liga. Até a filmei fazendo ‘teile’, ‘zaga’ e ‘laga’. Ela morre de rir, acompanha todas as publicações. Minha mãe me apoia muito, em todas as minhas escolhas”, conta.

Além de ganhar dinheiro (pouco, ainda, segundo ela) gravando narrações, Alcione cursa engenharia elétrica. E afirma: “Tem criatividade pra caramba na engenharia. Tanto quanto números”, diz. Ela garante que, embora não tenha tanta facilidade em matemática ("eu suo"), dá conta.

Dois vídeos por semana: mais qualidade, menos diversão

A rotina de Alcione é dividida entre vídeos, publicidade e faculdade. “Gravo, em média, dois vídeos por semana. Agora mesmo estou procurando qual vai ser o próximo que vou narrar", diz. A ideia surgiu de uma brincadeira entre amigos - ela é a piadista da turma. "Eu fazia brincadeiras desse tipo quando via alguém dançando. Achei que seria legal migrar para o Instagram”, conta. 

Alcione sabe que fez a escolha certa, mas com ressalvas. “É muito legal ser reconhecida, ter pessoas esperando pelo meu trabalho. Só que, ao mesmo tempo, eu fico bastante preocupada. Algo que eu fazia por prazer se tornou obrigação, e isso me assusta. Preciso me preocupar cada vez mais com a qualidade, por isso me divirto menos. Faz parte".

Após escolher o vídeo, a jovem entra em contato com quem aparece nas imagens e pede autorização para usá-lo. “Até hoje, ninguém negou”, comemora. E, para quem acha que é tudo no improviso, a pernambucana revela: “Assisto ao vídeo umas três vezes e crio um roteiro. Então, gravo, e, depois, sobreponho minha voz ao som do vídeo em um aplicativo, no celular mesmo, facinho. O processo todo dura de duas a três horas”. No programa de Fátima Bernardes, ela narrou a música Bang (um vídeo antigo da apresentadora dançando com Anitta). Ao vivo, o roteiro fez falta: Alcione não teve a mesma fluidez e sacadas que tem na internet.

Esse negócio de ser influencer dá dinheiro mesmo?

Alcione e a mãe vivem da pensão que o avô deixou. Por enquanto, os vídeos ainda não renderam muita grana. “Ganhei uma coisinha aqui, outra ali, mas com publicidade. Ainda assim, é bem difícil me deslocar para participar de eventos. Fico no Recife e a passagem para o Rio ou para São Paulo – que é onde tudo acontece – é muito cara”, afirma. “Mas, para falar a verdade, nem tenho o sonho de ser rica. Só quero viver com estabilidade”.

Mesmo apaixonada por engenharia, ela não descarta investir só na arte. “Pagando bem, meu apego pelo curso acaba na hora”, brinca. “O mercado anda tão difícil que a gente não pode escolher muito. Tem que abraçar a melhor oportunidade que aparecer”.

“Só criticam o que é bom”

Alcione procura haters. Segundo ela, as pessoas só criticam o que é bom. “É difícil achar com tanta gente comentando. Mas, quando acho, fico feliz. As pessoas não perdem tempo falando mal de algo ruim”, diz. Quando a treta é mais séria, ela joga para a galera.

“Dia desses, postei uma foto com a minha namorada e uma mulher pediu que eu parasse. Ela falou que o filho, de seis anos, tem Instagram e viu a imagem. Postei o print desse comentário nos meus Stories e a galera esculachou. Nem perco tempo”, ri.

Ela e a namorada, de quem não revela o nome, estão juntas há dois anos. “Minha rotina anda tão maluca, que tem dia que eu separo para ficar com ela. A gente tem que se esforçar quando gosta de alguém”.

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