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Masturbação infantil e brincadeiras sexuais entre crianças: é normal?

A sexualidade infantil precisa ser entendida e encarada com naturalidade - Getty Images
A sexualidade infantil precisa ser entendida e encarada com naturalidade Imagem: Getty Images

Amanda Serra

Da Universa

19/07/2018 04h00

Brincadeiras sexuais na infância e masturbação infantil fazem parte do processo de descoberta da sexualidade e do corpo da criança, e está tudo bem. Mas o que são, exatamente? Sabe quando a criança começa a brincar com o próprio corpo ou observa o do amiguinho ou da amiguinha? É isso. 

“Não há nada de errado com o comportamento sexual dos filhos. Não é necessário reprimir, mas, sim, orientar e explicar que somente a criança pode se tocar daquela forma, e que essa ação deve ser feita em lugar íntimo, não em público", diz a pediatra Sylvia  Kowalski Pereira, 30, de Florianópolis (SC).

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Ainda de acordo com a médica, essa descoberta do corpo acontece dos 18 meses aos três anos, quando começamos a tocar nossas genitais e a descobrir o prazer nessa autoestimulação --ou seja, a masturbação.

"Não é um ato consciente de obter prazer, mas é natural, já que se tratam de órgãos --vulva, pênis, clitóris-- que possuem terminações nervosas que provocam prazer. É um autoconhecimento", explica Sylvia, que complementa dizendo que essa descoberta também tem um período de intervalo, de acordo com o crescimento.

"Entre os seis ou sete anos, as crianças passam a ter nojo de suas partes íntimas e param de se tocar. Isso também ocorre naturalmente e faz parte do desenvolvimento."

Mas e as brincadeiras: o que são e quando acontecem?

Trata-se de uma observação do corpo do outro e, às vezes, envolve tocar a parte íntima. Eles surgem a partir do momento que a criança passa a interagir com outras. Geralmente, dos quatro aos seis anos. E não há coação --quando uma criança obriga a outra a fazer aquilo que ela não quer. É uma atitude espontânea, com autorização do outro.

"A criança quer ver se o amigo tem a mesma ‘coisa’ que ele. Não tem um apelo sexual ou sentimento de desejo. É um comportamento normal, de observação, de curiosidade. Também não denota homossexualidade ou heterossexualidade. Pode ocorrer entre crianças do mesmo sexo. Eles apenas confirmam e conferem diferenças”, explica Sylvia.

E de que forma os pais devem orientar os filhos?

Quando a criança descobre a masturbação ou as brincadeiras sexuais, não há mudança de comportamento. Mas é preciso verificar se a idade das crianças envolvidas é a mesma e se os atos não estão sendo excessivos ou ocorrendo em público. Além de explicar que meninos e meninas têm genitais diferentes.

“Quando a masturbação se torna explícita, é preciso investigar. Nem sempre podemos associar a um abuso sexual, às vezes é só uma descarga de ansiedade ou algum conflito dentro de casa que ela esteja enfrentando, mas tem de ficar de olho”, afirma a psicoterapeuta especializada em crianças e adolescentes Andreia Calçada.

Ainda segundo Andreia, repressões severas dos pais também podem intensificar uma masturbação mais explícita. “Se a criança percebe que aquilo provoca uma angústia nos pais, ela vai querer fazer apenas para chamar atenção.”

A curiosidade em relação à sexualidade só se torna preocupante quando existe exibicionismo, conotação sexual, coerção e chantagem de crianças das mais novas pelas mais velhas. Outra coisa também que não é comum é crianças usarem objetos para se masturbarem.

"O importante é que não exista um tabu entre pais e filhos para falar sobre sexo. Muitas meninas acabam tendo relações não por vontade própria, mas por conta da pressão do namorado, da sociedade. É preciso falar abertamente até para evitar possíveis doenças transmissíveis. Claro, tudo no seu tempo, os pais sentirão a idade adequada para isso", afirma Sylvia. 

Como diferenciar de um abuso sexual?

Crianças vítimas de abuso mudam o comportamento e tendem a ficar mais retraídas, caladas, tristes, depressivas, além segurarem as necessidades fisiológicas por mais tempo, algumas até param de fazer cocô.

“Na maioria dos abusos não há penetração e, normalmente, são praticados por pessoas próximas às crianças. É importante não haver negação caso ou filhos venham contar algo. Mas também deixar claro que eles podem confiar nos pais para contar caso alguém toque em suas partes íntimas”, alerta a pediatra.

"Geralmente, crianças que abusam de outras crianças estão reproduzindo um comportamento do que fazem com ela e isso nada tem a ver com jogos sexuais”, alerta a médica, que já lidou com casos desse tipo.