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Bolsas da Chloé de R$ 6 mil vendem como água: fãs são mulheres jovens

Um dos modelos da bolsa Chloe - Karitha Melo/Divulgação
Um dos modelos da bolsa Chloe Imagem: Karitha Melo/Divulgação

Corinne Gretler e Robert Williams

Do Bloomberg

21/07/2017 16h38

Para a Richemont, atualmente não é fácil vender relógios de US$ 10.000 (o equivalente a R$ 31 mil), mas os consumidores estão arrebatando as bolsas Marcie, de US$ 2.000 (o equivalente a R$ 6 mil), e as blusas com babados da marca de roupas e acessórios de couro Chloé, pertencente à empresa.

Para a gigante de luxo com sede em Genebra, que enfrenta dificuldades para atravessar a maior desaceleração da história dos relógios suíços, a marca parisiense de roupas e acessórios tem sido um dos poucos pontos positivos. A empresa está aumentando o investimento em uma marca famosa pelo estilo boêmio e deve abrir oito lojas novas neste ano.

"Nos últimos dois anos, tivemos um forte crescimento em um momento em que quase nenhuma marca de luxo estava crescendo", disse o CEO da Chloé, Geoffroy de la Bourdonnaye, em entrevista. "Nós realmente ganhamos participação no mercado."

O presidente de Richemont, Johann Rupert, passou anos criando um portfólio de marcas de roupas e de produtos de couro, que inclui desde a marca parisiense de alta-costura Azzedine Alaïa à fabricante de ternos britânica Dunhill, mas os artigos de couro e roupas ainda representam apenas um décimo das vendas da empresa, mais conhecida por marcas de relógios e joias como Cartier e Van Cleef & Arpels.

A empresa suíça vendeu no mês passado a Shanghai Tang, uma marca de roupas com sede em Hong Kong, a um grupo de investidores italianos. Foi a primeira vez que a empresa se desfez de uma unidade de luxo desde 2007.

'Começando a funcionar'

As vendas de artigos de couro da Richemont subiram 11% no no último ano, porque as bolsas de Chloé encontraram fãs entre as mulheres mais jovens que buscam alternativas mais acessíveis ao modelo Birkin, da Hermès, que custa a partir de US$ 10.000, e opções de marcas menos ostensivas que os acessórios Chanel ou Louis Vuitton. As vendas globais da Richemont caíram 4% no mesmo período. Rupert ressaltou o desempenho da Chloé em uma teleconferência em maio, dizendo que a divisão de couro da empresa está "começando a funcionar".

Luca Solca, analista do Exane BNP Paribas, estima que as vendas da Chloé cresceram em porcentagens de dois dígitos nos últimos três anos. Embora a Richemont não detalhe os resultados da unidade, ele calcula a receita em torno de 450 milhões de euros - aproximadamente em linha com a Brunello Cucinelli e cerca de metade do total da Tod's ou da Moncler.

A Chloé foi fundada em 1952 em Paris pela egípcia Gaby Aghion, que teve a visão, então inovadora, de produzir roupas de luxo prontas para usar. A marca registrou sete anos consecutivos de crescimento de vendas desde a chegada de De Bourdonnaye em 2010, durante um período turbulento depois que a estilista Phoebe Philo foi para a Céline, da LVMH, em 2006. A diretora de criação Clare Waight Keller, que chegou em 2011, reforçou a imagem de liberdade de espírito da marca, que já contou com estilistas como Karl Lagerfeld, que criou desfiles inspirados na década de 1970.

Para aumentar a visibilidade sem exibir seu logotipo, a Chloé está intensificando o investimento no varejo. Londres, Tóquio e Cingapura estão entre os lugares que ganharão lojas novas neste ano. As boutiques autônomas são mais caras de abrir que stands em lojas de departamento ou sites na internet, que estão dando impulso ao crescimento da indústria de luxo, mas conduzem a transações de maior valor.