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Como muitas mulheres, Monique se acha gorda enquanto os homens a consideram gostosa

Use o campo de comentários desta página para dar sua opinião sobre Monique do "BBB12" - Divulgação/TV Globo
Use o campo de comentários desta página para dar sua opinião sobre Monique do "BBB12" Imagem: Divulgação/TV Globo

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

28/02/2012 15h09

Pergunte a qualquer homem heterossexual o que ele vê na Monique do "BBB12". A maioria, sem dúvida, vai enumerar uma série de predicados para responder: seios fartos, curvas generosas, bumbum avantajado, sorriso bonito, pernas bem desenhadas -- tudo aquilo que define um mulherão, uma gostosona. Porém, a gaúcha de 23 anos, sob o criterioso julgamento de maior parte das mulheres (inclusive o da própria), não passa de uma gordinha desengonçada e desinteressante. Já protagonizou várias cenas de choro por se achar fora do peso, por se sentir feia nas roupas enviadas pela produção do programa para as festas e resmunga que deve ser considerada a baranga do programa.

Para a professora de artes sensuais Nelma Penteado, autora do livro “aleGGria” (Matrix Editora), que traz dicas de amor e sexo para as mulheres gordinhas, o sexo feminino é muito exigente em relação a si mesmo. Para ela, enquanto a mulher se concentra no detalhe, o homem prefere admirar o conjunto. "O primeiro passo para a mulher se sentir bonita e sexy é se aceitar do jeito que é. A partir daí, ela vai conseguir realçar os pontos fortes e disfarçar os fracos", afirma. Nelma explica ainda que é preciso se livrar da autossabotagem. Como? Deixando de reclamar que a roupa não caiu bem, que a estria está muito evidente, que a barriguinha inchou... "Nada de fazer propaganda negativa de si mesma. Com tanta insistência, as pessoas podem começar a perceber coisas que nunca haviam reparado", diz.

  • Frederico Rozário/TV Globo

    Monique, que já chorou algumas vezes no "BBB12" por se considerar gorda


É bom lembrar que homens e mulheres têm percepções diferentes sobre o que é bonito ou feio. Para a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, algumas garotas que se vestem com um apelo muito "fashion" ou extravagante, aliás, podem até ser julgadas como ridículas pelo sexo masculino. “As pessoas, em geral, atendem aos apelos da mídia sem questionar a realidade à sua volta. Se algo está sendo usado na novela, foi mostrado no São Paulo Fashion Week ou na capa das revistas de celebridades, então, é lei que a mulher comum também use para se sentir pertencente a um mundo idealizado, longe de satisfazer suas necessidades reais", diz Mara Lúcia, que lembra que essa distorção acontece principalmente em relação aos padrões físicos.

Quem acompanham o "BBB" sabe que os homens da casa piram com as curvas de Monique --mesmo que, de fato, ela tenha engordado um pouquinho desde a estreia do programa, algo perceptível nas roupas mais apertadas. Que o digam Jonas, que volta e meia beija a moça nas festas, e Fael, que nem disfarça mais os olhares gulosos. O problema é que, em muitos casos, a sensualidade feminina tem mais a ver com a própria percepção do corpo do que com os elogios feitos pela ala masculina. A mulher, para agir de modo sedutor, precisa se sentir bonita --se ela não se enxergar bela, nem George Clooney e Brad Pitt juntos a farão mudar de ideia. “Mal sabem elas que os homens esperam mulheres que consigam esquecer de si mesmas e viver uma relação de verdade. Que façam do sexo uma experiência de prazer e não uma forma torturante de preocupação com o que o outro irá pensar”, diz Mara.

Herança feminina
A psicóloga e terapeuta sexual Arlete Gavranic, do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática, lembra que as mulheres são submetidas à exigência social de beleza e corpo perfeito e têm desejo de agradar o outro desde a infância. “A menina precisar ser delicada, afetiva, princesinha para ganhar afeto, diferentemente dos meninos, que são adorados mesmo sendo bagunceiros", explica. Frente a todas essas cobranças, muitas desenvolvem uma autoestima fragilizada e se tornam críticas no sentido autodestrutivo.

Para o psicólogo Alexandre Bez, especializado em relacionamentos pela Universidade de Miami, o problema de Monique não é recente --provavelmente, ela já entrou no programa com arranhões na autoimagem.  "O confinamento e a pressão do jogo agravam o quadro, tornando a experiência não tão agradável, e gerando algum tipo de compensação", afirma, referindo-se ao fato de Monique ter passado a comer mais conforme o desenrolar da atração. O efeito vira uma bola de neve: quanto menor a autoestima, maior o estresse, e por aí vai.