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Rosa Chá propõe dadaísmo, surrealismo e tropicalismo para a moda praia do verão 2008

Desfile da Rosa Chá na Semana de Moda de Nova York - Reuters
Desfile da Rosa Chá na Semana de Moda de Nova York
Imagem: Reuters

AILTON PIMENTEL<br>Colaboração para o UOL, de Nova York<br/>

09/09/2007 20h51

O que seria da carreira de estilista de Amir Slama (o homem por trás da engenharia e mil outras idéias aplicadas nos biquínis e maiôs da Rosa Chá) se ele não tivesse se formado em História? Slama é mestre em adaptar grandes fatos históricos --e agora no verão 2007/08, escolas estéticas do século 20-- em míseros pedaços de panos que se transformam em roupa com letras maiúsculas.

O desfile da Rosa Chá fecha com chave de ouro a participação de marcas brazucas no calendário de lançamentos americanos. Sua mais nova viagem passeia pelo movimento dadaista, concretismo, surrealismo, cinema novo... A cada novo look, uma transformação --ou seria uma explicação para a sucessão de rupturas artísticas que marcaram o século passado--, à vista. Angela Lindvall abre a apresentação com um maiô desconstruido, com aplicação de patchworks.

O engana-mamãe versão Amir Slama é de enlouquecer qualquer Bebel (papel de Camila Pitanga na novela "Paraíso Tropical"). Suas muitas variações trazem recortes e amarrações diferenciadas, que praticamente imploram por calças, shorts, saias ou bermudas para sair por aí, em busca da balada perfeita. Até porque as lindas jóias de Juliana Scarpa deram o tom evening em cada look --as melhores peças da designer são aquelas que trazem cristais, imensas-- que dialogaram redondo com a coleção mostrada na passarela.

Amir fala de Brasil e brasilidade com inteligência: o recado já se dá
logo no início onde a voz de Maria Bethânia declama a poesia portuguesa de Sophia Mello Breyer, tudo devidamente sampleado pelo também brasilianista DJ Zé Pedro. A Rosa Chá se deu bem ao mostrar (como sempre) que qualquer garota do mundo inteiro pode rechear seus biquínis, maiôs e até os belos vestidos parangolés (a moda de HélioOiticica) sempre selvagens.
 

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