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Herchcovitch constrói mulher dramática ao desconstruir tango e alfaiataria

Marina Dias desfila lindo vestido vermelho da coleção de verão de Alexandre Herchcovitch - Alexandre Schneider/UOL
Marina Dias desfila lindo vestido vermelho da coleção de verão de Alexandre Herchcovitch
Imagem: Alexandre Schneider/UOL

CAROLINA VASONE<br>Editora de UOL Estilo<br/>

13/06/2007 18h31

Certa vez, depois de assistir a uma coleção de Herchcovitch, Suzy Menkes, poderosa jornalista e editora de moda do jornal "International Herald Tribune", proclamou, aliviada e elogiosa: "Enfim, as luzes" (o episódio, aliás, é contado no livro que o estilista acaba de lançar "Cartas a um Jovem Estilista"). Várias temporadas depois, a vontade é a de repetir a frase de Menkes, adaptada: enfim, o drama.



Inspirado pelo tango e pela alfaiataria masculina, Alexandre Herchcovitch mostrou que sabe criar, como poucos, dramaticidade com a força e a leveza que o nosso próximo verão merece e pode usar. Não é um verão convencional, ingênuo, de florzinhas, vestidos esvoaçantes ou trapézio, como os vistos no Fashion Rio, mas consegue exalar frescor (nos dois sentidos) sem ignorar o peso das referências do tema usado como ponto de partida.



Responsável pelo styling do desfile, Maurício Ianês alcançou (também como poucos) um equilíbrio raro e belo entre tango, verão e contemporaneidade, com um toque fetichista. Criou imagens limpas, e assim reforçou uma dramaticidade arrebatadora e ao mesmo tempo delicada, deixando mostrar o desenho das peças de Herchcovitch, brincando com os elementos do vestuário masculino ao transformar punhos de camisa em munhequeiras, golas de camisa com gravata de smoking em acessório de pescoço.



Nas roupas, o branco e o preto vieram primeiro. No primeiro vestido, o jogo de desconstrução de peças masculinas já aparecia no vestido curto, estilo salopete, com a frente fazendo referência à lapela do smoking. A modelo de abertura não era a musa inspiradora do estilista, Geanine Marques (que apareceu depois), mas quase; Daiane Conterato (que poderia ser uma espécie de "irmã mais nova" de Geanine, tamanhã a semelhança). As faixas de cintura típicas das roupas dos dançarinos de tango apareceu nos looks, marcando a cintura no lugar, quase alta. O fraque virou jaqueta curta ou casaco mais longo em piquê preto, ambos acompanhando vestidos leves, em seda, em tons fortes de pink e verde.



Aos poucos, o preto foi se misturando não só ao branco mas também aos tons fortes e vibrantes, entremeados pela única estampa da coleção, um grafismo em preto e tom de caramelo mais claro, quase como uma estampa de pele de girafa. Quando o vermelho surgiu, num lindo vestido curto usado por Marina Dias, os cravos vermelhos que enfeitavam as lapelas de vestidos e jaquetas já haviam ganhado proporções enormes e se transformado em corselets com babados retangulares, meio rasgados, na série de vestidos e tops e saias arredondados, de festa, num estilo "bombom" com um toque de agressividade.



Na maquiagem, olhos negros e boca vermelha, bem no clima tango, que também apareceu na trilha sonora de Max Blum. Nos pés, destaque para os sapatos pontudos, ora com ares históricos, ora fetichistas.

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