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'Por que compartilhei na internet fotos da agressão que sofri'

Reegan diz que agora se sente "desconfiada de todos e insegura" quando está fora de casa - REEGAN KAY
Reegan diz que agora se sente "desconfiada de todos e insegura" quando está fora de casa Imagem: REEGAN KAY

Manish Pandey

Repórter do programa Newsbeat da BBC

11/12/2021 14h38

Quando Reegan Kay estava voltando para seu apartamento na universidade de Bristol, na Inglaterra, depois de uma saída à noite com amigos em novembro, ela conta que foi atacada por um homem. Seu dente da frente foi quebrado e ela ficou inconsciente.

"Faz parte de nossa existência cotidiana", disse a jovem de 21 anos ao programa Newsbeat da BBC Rádio 1.

Mas Reegan optou por não ficar quieta sobre o que aconteceu e, em vez disso, postou os detalhes - incluindo fotos de seus ferimentos - no Twitter.

Ela contou que um homem a agrediu "por ter dito não" - cuspiu nela, puxou seu vestido e deu um soco no rosto.

"Acontece muito mais do que as pessoas entendem ou percebem. Eu senti que se eu dissesse algo (publicamente), isso encorajaria outras pessoas a compartilhar suas experiências".

'Uma comunidade segura para compartilhar'

No início deste ano, a segurança das mulheres nas ruas ganhou as manchetes na Inglaterra, onde a estudante mora, e foi um grande tópico de conversa após o assassinato de Sarah Everard por um oficial da Polícia Metropolitana.

Reegan diz que o debate e a cobertura sobre o tema a encorajaram a falar abertamente sobre o episódio.

"Sinto que se houvesse muitas mulheres fazendo seus relatos, mesmo que houvesse alguma negatividade, eu teria uma comunidade segura para compartilhar minhas experiências. Haveria solidariedade com outras mulheres que passaram por coisas semelhantes."

Reegan espera que o fato dela compartilhar a violência que sofreu contribua para a discussão sobre a segurança das mulheres.

"Eu nunca tinha percebido, até que aconteceu comigo, quão traumatizante é. E o fato de não ter percebido mostra que não há gente suficiente falando sobre isso." - REEGAN KAY - REEGAN KAY
"Eu nunca tinha percebido, até que aconteceu comigo, quão traumatizante é. E o fato de não ter percebido mostra que não há gente suficiente falando sobre isso."
Imagem: REEGAN KAY

"Não acho que as pessoas que não passam por isso devam ser capazes de seguir em frente com suas vidas e não ter que pensar sobre isso", diz. "Se as coisas vão mudar, todo mundo tem que pensar nisso conscientemente, o tempo todo."

A reação à postagem de Reegan foi "extremamente positiva", segundo ela, mas houve um pequeno número de comentários negativos. Ela também recebeu mensagens abusivas de homens culpando-a pelo que aconteceu e pedindo fotos explícitas.

"Algumas pessoas disseram que eu estava mentindo para tentar obter atendimento odontológico gratuito. Houve quem dissesse que eu merecia o que ocorreu porque devo ter tido uma atitude e isso não teria acontecido se eu não estivesse usando um vestido."

"Uma minoria muito pequena, mas vocal, cruel. E essas atitudes são difundidas por muitas pessoas."

Reegan relatou o que aconteceu à polícia.

Um porta-voz da polícia da região disse ao Newsbeat que "violência, abuso e intimidação de qualquer forma contra mulheres e meninas não são aceitáveis

Ele disse que a polícia estava revisando as câmera da área na época do incidente.

"Mulheres e meninas devem ser livres para viver sem medo de abuso e assédio e estamos comprometidos em proteger, apoiar e empoderar as vítimas para que juntos possamos acabar com a violência de homens contra elas."

Desde o ataque, Reegan admite que as coisas podem ser uma luta e diz que todo dia tem seus "altos e baixos".

"Estou realmente tendo dificuldades para comer e dormir. Sinto-me muito sensível, vulnerável e com medo", diz ela. "Mas também me sinto reconfortada por ter bons amigos ao meu redor. Pode ser um pouco confuso porque ainda é tudo muito recente."

Reegan espera que, ao falar sobre sua própria experiência, possa encorajar outras pessoas a falarem sobre as violências que sofreram.

"Defender a autonomia sobre nosso corpo e o direito de se sentir segura é o mais importante", acrescenta.