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Feira reúne moda ecologicamente correta em Londres

Look da marca Noir, uma das participantes da feira Esthetica  - AFP
Look da marca Noir, uma das participantes da feira Esthetica
Imagem: AFP

Ilana Rehavia<BR>Da BBC Brasil em Londres

13/02/2008 16h54

Enquanto modelos desfilam as roupas predominantemente das coleções Outono/Inverno 2008 na Semana de Moda de Londres, é o verde que domina a Esthetica, a feira de moda ética que acompanha o evento principal.

Em sua quarta edição, a Esthetica reúne marcas com preocupações éticas e ecológicas, como por exemplo, estilistas que usam materiais reciclados, fibras orgânicas e cultivadas de forma sustentável ou que produzem suas coleções garantindo condições justas a trabalhadores e fornecedores.

As questões ligadas à pegada ecológica deixada pela indústria da moda nunca estiveram mais em debate na Grã-Bretanha. Durante os últimos anos, as britânicas aproveitaram as coleções com preços extremamente baixos lançadas por supermercados e cadeias de lojas populares e tendências foram lançadas e saíram de moda em tempo recorde, criando o fenômeno batizado de "moda descartável".

Mas as revistas especializadas, que há alguns anos celebravam os preços baixos, agora prevêem o retorno de um consumismo mais consciente das implicações ecológicas e sociais de roupas produzidas principalmente no sudeste asiático sob condições nem sempre éticas.

Marcas estabelecidas
Dentro desse clima, a quarta edição da Esthetica é a maior já realizada, com 27 marcas, entre elas as já estabelecidas Noir, Katharine Hamnett e People Tree.

O fato de a feira acontecer dentro da sede da Semana de Moda de Londres - por onde passam algumas das editoras de moda mais influentes do planeta - mostra que a moda ética já deixou para trás o estereótipo de peças feitas de tecidos grosseiros, que pinicam.

As marcas expostas na Esthetica combinam entre si diferentes tipos de tecidos, técnicas avançadas de produção e uma variada amostra de estilos.

Uma das atrações é a marca de tênis Veja, uma empresa francesa que usa materiais brasileiros. Os sapatos são produzidos em Porto Alegre usando algodão orgânico produzido em pequenas cooperativas no Ceará. A borracha para os solados vem de seringueiros da região amazônica.

"Além de ajudar a comunidade, esta é uma forma de evitar o desmatamento, já que o fornecimento do látex para nossos sapatos representa uma forma alternativa de renda para os seringueiros da região", disse à BBC Brasil Aurélie Dumont, coordenadora de comunicação da Veja.

Segundo ela, a empresa decidiu manter toda a sua linha de produção no Brasil por causa da enorme riqueza de recursos naturais do país, e também para evitar o transporte desnecessário de matéria-prima de um continente para o outro.

Preocupações sociais
Além das preocupações ecológicas, algumas marcas que expõe na Esthetica também trabalham para melhorar as condições sociais de comunidades pobres.

Um exemplo de sucesso é a Nahui Ollin, uma marca que produz bolsas feitas de papel de bala reciclado e conta com centenas de pontos de venda espalhados pelo mundo. As bolsas são produzidas há três anos nos arredores da Cidade do México, usando técnicas mexicanas.

"Nós treinamos mulheres de oito comunidades para que utilizem essas técnicas, e elas usam embalagens de bala com defeitos, fornecidas pelas fábricas, que seriam jogadas no lixo", diz o vice-presidente da marca, Danny Bitran.

A Esthetica também reflete o fato de que a questão ambiental está extrapolando o universo das organizações não-governamentais, e angariando apoio dos grandes nomes do mundo da moda. É o caso da campanha "Escolha seu Algodão com Cuidado", que conta com um estande na feira.

Para a campanha, organizada pela Fundação para Justiça Ambiental, estilistas de peso como Christian Lacroix, Luella Bartley e Betty Jackson criaram camisetas exclusivas, que foram então fotografadas em modelos conhecidas como Irina Lazareanmu, Coco Rocha e a brasileira Caroline Trentini.