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Psiquiatra dissipa 'mitos' sobre estupro no julgamento de Weinstein

Harvey Weinstein no tribunal em Manhattan  - REUTERS/Brendan McDermid
Harvey Weinstein no tribunal em Manhattan Imagem: REUTERS/Brendan McDermid

Nova York

24/01/2020 19h57

Uma psiquiatra legista disse, hoje, ao júri do julgamento contra o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein que as vítimas de agressão sexual às vezes permanecem em contato com o agressor por anos após o incidente.

Barbara Ziv foi chamada como testemunha pela promotoria para dissipar vários "mitos" sobre o estupro.

Ziv disse aos jurados deste caso emblemático para o movimento #MeToo que a maioria das agressões sexuais é cometida por alguém que as vítimas conhecem, e não por um desconhecido, como se acredita normalmente.

A psiquiatra, que foi chamada como testemunha em mais de 200 julgamentos de agressão sexual, incluindo do comediante Bill Cosby, disse que é errado acreditar que as vítimas sempre resistem aos agressores.

Outra ideia equivocada, informou, é a de que as vítimas geralmente denunciam o ataque a amigos ou à polícia.

O ex-homem forte de Hollywood Harvey Weinstein pode ser condenado a uma pena máxima de prisão perpétua se declarado culpado de violentar a atriz Jessica Mann em 2013 e de agredir sexualmente a ex-assistente de produção Mimi Haleyi em 2006.

A defesa mostrou para o júri mensagens trocadas entre Mann e Weinstein que mostram que ambos tinham "uma relação carinhosa".

"O contato contínuo (com o agressor) é a norma", disse Ziv.

"Esse contato pode variar de mensagens de texto a um relacionamento contínuo", acrescentou.

Weinstein, que vestia um terno escuro, fez anotações num bloco e bateu com os dedos numa mensa enquanto ouvia o depoimento de Liv.

A psiquiatra afirmou que as vítimas muitas vezes permanecem caladas sobre um ataque porque têm algum carinho pelo agressor.

O autor da agressão também pode ter o poder de arruinar sua carreira e outros relacionamentos, acrescentou.

"Eu posso lidar com esse trauma, mas Deus me livre de que isso arruíne minha vida e me faça incapaz de seguir em frente", pensam as vítimas às vezes, segundo a psiquiatra.

O advogado de defesa Damon Cheronis perguntou a Ziv se há mulheres que relatam um encontro sexual consensual como estupro anos depois, "por vergonha".

"Tudo é possível. Mas não é comum", respondeu.

Mais de 80 mulheres, incluindo as atrizes Salma Hayek e Angelina Jolie, denunciaram Weinstein por assédio, agressão sexual ou estupro desde o surgimento do escândalo sobre seus supostos abusos em outubro de 2017.

O ator Bill Cosby foi condenado em setembro de 2018 a três anos de prisão por drogar e agredir sexualmente uma mulher há 15 anos.