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Mulher presa após beijar sua mulher na Argentina denuncia preconceito

Foto de 28 de junho de 2019, mostrando Mariana Gomez (à direita) beijando sua esposa Rocio Girat em frente a tribunal em Buenos Aires - STRINGER / NOTICIAS ARGENTINAS / AFP
Foto de 28 de junho de 2019, mostrando Mariana Gomez (à direita) beijando sua esposa Rocio Girat em frente a tribunal em Buenos Aires Imagem: STRINGER / NOTICIAS ARGENTINAS / AFP

29/06/2019 16h54

Mariana Gómez, uma argentina condenada a um ano de prisão em suspenso por "resistência à autoridade" após beijar sua mulher em uma estação de metrô na Argentina, vai recorrer da decisão, considerada arbitrária e preconceituosa.

"É a forma como o Estado quer nos doutrinar", garantiu Mariana, de 26 anos, ao Canal C5N, ainda indignada com a condenação divulgada nesta sexta-feira.

Ela foi condenada por "resistência à autoridade" após reagir à ação de um agente policial em um local público onde, pouco antes, tinha beijado com sua mulher, Rocío Girat, na frente dele.

O fato ocorreu em 2 de outubro de 2017 em frente à estação Constitución do metrô na capital argentina, onde ambas se protegiam da chuva, enquanto Mariana fumava um cigarro, que o agente lhe mandou apagar.

"O oficial lhe disse 'pô, cara, larga o cigarro' e apalpou seus peitos, enquanto a Mariana se reivindicava o tempo todo como mulher", relatou Rocío sobre este momento, filmado por outras pessoas.

O policial argumentou que sua ação é respaldada pela lei antitabaco e que a mulher resistiu a ser detida.

Movimentos de defesa dos direitos LGBT classificaram o acontecimento como "lesbofóbico".

"O que aconteceu é um chute nos nossos direitos", afirmou Rocío.

Na próxima sexta, serão divulgados os fundamentos da condenação, decidida por uma juíza com base em uma acusação de uma procuradora.

O advogado de Mariana, Lisandro Teszkiewicz, negou que ela tenha resistido à autoridade e afirmou que a mulher "foi alvo de humilhações e vexações". Ele adiantou que vai recorrer, se for necessário, à Suprema Corte e à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

"Não convalidaremos o retrocesso de direitos na Argentina", afirmou.

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