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França não concede nacionalidade francesa a muçulmana por causa do uso da burca

18/07/2008 14h25

PARIS, 18 Jul 2008 (AFP) - A classe política francesa aplaudiu a decisão de não conceder a nacionalidade francesa a uma muçulmana que insiste em usar a burca, o véu que cobre completamente o corpo da mulher, pois isso reforçaria o princípio de laicidade do Estado.

O Conselho de Estado, máxima jurisdição administrativa da França, justificou sua decisão alegando que, ao usar a burca, "a senhora M. adotou uma prática radical da religião incompatível com os valores essenciais da comunidade francesa e, em especial, com o princípio de igualdade de sexos", conforme processo datado de 27 de junho que se refere ao caso de uma mulher de nacionalidade marroquina casada com um francês e mãe de três filhos.

A secretária de Estado encarregada da Solidaridade, Valerie Létard, insistiu nesta sexta-feira que essa decisão demonstra que a França concede aos valores republicanos, que permite aos franceses "construir um projeto de sociedade, apesar das diferenças".

Entre as muçulmanas residentes na França, a questão também é polêmica.

Malika, 34 anos e marroquina naturalizada há nove anos, cobre a cabeça com um discreto hijab e nunca pensou em se cobrir totalmente. "Dizem que a burca é para as mulheres muito bonitas, que querem se esconder dos homens e não provocar ciúmes", comenta, afirmando respeitar a decisão das mulheres que preferem usar a burca.

Há aquelas que não entendem o motivo dessa decisão do Conselho de Estado.

"Eles estão totalmente enganados e não entendem nada", afirma Hasna, uma jovem de 25 anos quase totalmente coberta pelo "jilbab", que só deixa exposto dois terços de seu rosto.

"Há dez anos a burca podia ser imposta pelo homem. Mas, com a nova geração, esse já não é o caso. Na França, são as muçulmanas que escolhem usar ou não", explicou.

O presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), Mohamed Moussaui, lamentou, por sua parte, que o Conselho de Estado não tenha definido o que entende por "prática radical da religião", conforme foi alegado, pois tal colocação pode levar a "qualquer interpretação".

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