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Mulheres protagonizam um mundo em evolução


Feminismo, racismo, sexo: a melhor temporada de Malhação está de volta

Protagonistas de "Malhação: Viva a Diferença" se vestem com figurino vintage para festa temática dos anos 80 - Raquel Cunha/TV Globo
Protagonistas de "Malhação: Viva a Diferença" se vestem com figurino vintage para festa temática dos anos 80 Imagem: Raquel Cunha/TV Globo

07/04/2020 17h24

Com a pausa nas gravações das novelas do momento por conta da pandemia do coronavírus, a TV Globo passou a reprisar algumas novelas antigas. Entre elas, "Malhação — Viva a diferença" será reexibida e dará a chance para você sobreviver ao isolamento social na companhia de uma das temporadas da novela adolescente mais elogiadas pela crítica. O primeiro episódio foi ao ar nesta segunda (6).

Escrita por Cao Hamburguer e exibida originalmente entre 2017 e 2018, a edição de Malhação passa longe do "clima de azaração" e rodada de suco de melão das primeiras edições da série. Agora as tramas são mais realistas. Há gravidez na adolescência, questionamentos de padrão de gênero, questão racial, autonomia feminina e enredos que renderam à novela o Emmy Kids International em 2018. O prêmio é o mais importante da TV mundial.

"Viva a diferença" conta a vida das amigas Keyla (Gabriela Medvedovski), Ellen (Heslaine Vieira), Lica (Manoela Aliperti), Tina (Ana Hikari) e Benê (Daphne Bozaski). E listamos alguns motivos para assisti-las enquanto curte o confinamento. Veja:

5 razões para ver "Malhação - Viva a diferença"

  • Feminismo

    Lica (Manoela Aliperti) beija muito em uma festa e é zombada pelos colegas de escola. Em uma das várias amostras de pautas feministas na novela, a personagem interrompe uma aula para defender que direito a se relacionar com quem quiser. Os colegas circulavam um vídeo em que a comparavam com uma galinha. O professor até tenta pontuar que os homens são diferentes, biologicamente falando. Lia rebate: "E o senhor não acha que nós devemos mudar esse tipo de comportamento, professor? Que as mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens?", questiona.

  • Sexualidade

    Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio) protagonizaram um beijo bem aguardado na trama. A personagem Gabriel (Luis Galves) é abertamente gay -- e inclusive sofre um ataque homofóbico em uma cena tensa e pesada. A sexualidade na trama é semelhante a muitos jovens hoje em dia: com menus tabu do que antigamente, mais fluido e com violências insistentes e preconceituosas.

  • Autismo

    Benê (Daphne Bozaski) foi uma das principais personagens de "Viva a diferença" por uma característica peculiar: ela convive com Síndrome de Asperger, um estado do espectro autista que dificulta se relacionar e estimula um interesse acentuado em tarefas específicas. A personagem vai se abrindo pouco a pouco com familiares e amigos para explicar o que sente, e vai pouco a pouco conquistando sua sociabilidade. À época, Benê foi uma das pioneiras a tratar da síndrome em um folhetim global.

  • Sororidade

    O primeiro capítulo já começa com as cinco personagens principais realizando o parto de Keila (Gabriela Medvedovski) no transporte coletivo. Então, imagina, né? O evento une as amigas ao longo de toda a novela, formando o grupo "As Fives". A sororidade e a amizade entre elas são a base para os desafios enfrentados. Ninguém solta a mão de ninguém!

  • Racismo

    A personagem Ellen, que é negra, sofre por cenas fortes de racismo. Moradora de periferia, ela conquista uma bolsa de estudos em um colégio particular e sofre com o preconceito vindo até mesmo da diretora da instituição. A vida dela se parece com a de muitas brasileiras: a mãe é evangélica e estudo para ser técnica em enfermagem; a avó vende salgados e é adepta de religiões de matrizes africanas. Não só Ellen, mas personagens negros, como o irmão, Anderson, sofrem racismo no cotidiano e até mesmo em uma abordagem policial abusiva.

  • Gravidez na adolescência

    O Brasil tem uma taxa de 56,4/1000 partos entre adolescentes de 15 aos 19 anos, número maior do que a média da América do Norte, Central e do Sul. Imitando a realidade, Keyla (Gabriela Medvedovski) anuncia à família que está grávida. Ela tem só 16 anos. Para vencer o estigma da gestação nesta idade, ela se une ao amigo Tato para fingir que os dois têm um relacionamento e estão aptos a criar o filho nessa idade.

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