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5 atitudes para ter um debate saudável e respeitoso com uma mulher

Tomé Abduch interrompe Gabriela Prioli diversas vezes durante o programa "Grande Debate", da CNN - Reprodução/Twitter
Tomé Abduch interrompe Gabriela Prioli diversas vezes durante o programa 'Grande Debate', da CNN Imagem: Reprodução/Twitter

De Universa

26/03/2020 04h05

A participação da comentarista da CNN Brasil, Gabriela Prioli, em um programa de debate no canal de notícias costuma ser uma aula sobre como comportamentos masculinos podem ser desrespeitosos e enfraquecer uma boa troca de ideias.

Paciente, os argumentos e contra argumentos de Prioli estão viralizando na rede e nos dão boas lições sobre o que não fazer ao conversar com uma mulher. São atitudes que podem parecer simples, mas que são grandes desafios para muitos homens. Listamos algumas atitudes a serem evitadas.

  • Não interrompa

    A boa notícia é que pequenos comportamentos machistas tem nome e características conhecidos. Um deles é o manterrupting. O termo em inglês pode ser complicado de entender, mas é conhecido em qualquer idioma. Enquanto uma mulher apresenta ou defende uma ideia, o homem a interrompe no meio da frase, antes mesmo do argumento ser concluído. Aconteceu no debate entre Prioli e Tomé Abduch sobre a portaria emitida por Bolsonaro que permitia suspensão de contrato de trabalho por até quatro meses, nesta terça (24). Enquanto Prioli respondia a um questionamento feito pelo debatedor, era interrompida no meio da frase. Ela precisou pedir licença para falar e dar a resposta.

  • Ouça

    A prática da escuta ativa denota uma pessoa educada, generosa e respeitosa. Ouça o argumento do começo ao fim, atento a detalhes e a pontos específicos de discordância. Não leve em consideração as características da debatedora, principalmente de seu gênero. Ao final da fala, pontue do início ao fim a discordância e pergunte caso algo não tenha ficado claro para você e ouça a resposta atentamente. Assim o debate fica mais rico. Prioli também precisou repetir informações ditas no início da frase para ser ouvida pelo debatedor ao lado.

  • Não tente explicar o que ela já sabe

    Em vez de tentar ministrar uma aula, ouça e pergunte opiniões da mulher no debate. O ato de tentar explicar o que a mulher já sabe ou que até mesmo já disse chama-se mansplaining. Algo como "homem explicando". Fica ainda mais feio se a mulher sabe do que está falando, tem formação na área ou vivência que o outro debatedor não tem. Pior ainda é se ela acabou de dizer algo e você repete e tenta ensiná-la com suas próprias palavras. Siga o item 2 e vai evite tomar a fala para si com "O que ela está tentando dizer é...".

  • Use as próprias ideias

    É comum que uma mulher elabore todo um argumento, desenvolve um estudo aprofundado, a defenda em meio a uma reunião e debate e ninguém a leve em consideração. Logo depois, a mesma ideia é apresentada por um homem e "assinada" por ele. Esse fenômeno se chama "bropriating", ou "o brother que se apropria das ideias". É comum, em um debate, que o homem use o mesmo argumento usando um ou outra palavra diferente para parecer com uma ideia nova, mas não é. Dê os créditos, concorde, discorde, tire dúvidas e acrescente em vez de assumir a autoria do que não é seu.

  • Não relacione argumentos da mulher à emoção

    Durante o debate sobre o governo Bolsonaro, Tomé rotula o próprio argumento como não emotivo após receber a palavra de Prioli. Não é incomum que o homem considere os argumentos ausente de emoção, imparciais e corretos. Em contrapartida, é comum rotular o discurso de uma mulher como emotivo e sensível na tentativa de diminuí-lo. Debates com argumentos técnicos não precisam ser ausentes de emoção, e desmerecer a debatedora por isso pode demonstrar um acervo limitado de informações para uma conversa respeitosa e inteligente.

Violência contra a mulher