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Conheça os diferentes tipos de tranças africanas

Por Tayla Pinotti, para Salon Line

29/04/2019 16h41

Aliadas de quem passa pela transição capilar, as tranças africanas sempre fizeram sucesso entre ícones negros americanos, principalmente cantoras, atrizes e, agora, estão bombando entre as digital influencers.

No Brasil, o número de adeptas ao penteado só aumenta, fazendo com que cada vez mais mulheres crespas invistam nesse visual, que traz uma forte carga histórica de resistência e luta da população negra.

De origem africana, as "braids" eram usadas por algumas culturas para determinar classe social, origem familiar e até estado civil das mulheres do continente. Na América Latina, os desenhos feitos nas raízes dos cabelos durante o período da escravidão serviam como mapas que auxiliavam nas fugas e encontro de quilombos próximos.

Por isso, por mais que as tranças afros tenham caído no gosto de mulheres de todas as curvaturas de cabelo, elas continuam sendo muito mais do que um simples penteado.

Trancista há mais de 17 anos e responsável pelas tranças das Youtubers Amanda Mendes e Sabrina Dibynis, Janaína Cristina Honorato explica quais são os diferentes tipos de tranças africanas, além dos cuidados necessários e manutenção. Confira!

Box braids

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Para Janaína, as box braids são as que mais representam as origens africanas. Também apresentam maior durabilidade, além de proporcionarem mais liberdade e auxiliarem no crescimento do cabelo - é justamente por isso que elas são muito usadas durante a transição.

O nome, que em português significa "tranças de caixa" faz referência às divisões capilares das tranças, que são feitas dentro de um quadrado, como se fossem boxes.

No passado, esse modelo de trança era conhecido como kanekalon, que é um material sintético usado para alongar o cabelo. Atualmente, o jumbo e a lã são outras opções de matérias-primas que também podem ser utilizadas para estender as tranças.

Para realizar a técnica, é preciso usar pelo menos um dedo do comprimento do cabelo natural, já que elas não são feitas a partir da raiz.

Trança nagô

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Diferente das box braids, a trança nagô - também conhecida como corn braids - é feita rente ao couro cabeludo e foi muito usada como forma de comunicação entre os negros.

Nos dias atuais, continua sendo uma das preferidas das cacheadas e crespas, podendo ser feita em cabelos naturais ou sintéticos. A trancista Janaína também menciona que essa técnica é uma ótima opção para mulheres que usam lace, já que o fato de ser enraizada facilita a inserção da peruca.

Esse modelo de trança também é muito utilizado por homens com o cabelo crespo, porque, além de esteticamente bonito, é prático. Além disso, as corn braids podem ser feitas apenas na parte da raiz ou se estenderem para todo o comprimento.

Crochet braids

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Ao contrário do que se pode imaginar, as crochet braids não são tranças feitas com linha de crochê. Na verdade, a técnica recebe esse nome devido ao modo de fazer, que utiliza uma agulha para costurar o cabelo sintético ao natural.

O processo é feito a partir da raiz e utiliza fibras sintéticas, como kanekalon, para alongar os fios, podendo variar os desenhos. Uma das principais vantagens desta técnica é o efeito natural que proporciona aos cabelos.

Trança twist

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Também chamada de "trança baião de dois" em alguns lugares do Brasil, a trança twist é feita a partir da técnica de entrelace, o que significa que o material será "costurado" na raiz do cabelo, misturando o material sintético ao cabelo natural em todo o comprimento dos fios.

A principal característica da trança twist é o modelo desse penteado, que é feito com apenas duas mechas ao invés de três, como nas tradicionais.

Principais cuidados com as tranças africanas

Para manter a saúde do couro cabeludo e dos fios e prolongar a durabilidade do visual é preciso adotar alguns hábitos bem fáceis. Olha só:

Lavagem semanal com shampoo antirresíduos

Isso vai proporcionar uma limpeza profunda, dando um frescor prolongado à raiz. A trancista Janaína recomenda o uso do shampoo Detox S.O.S Bomba da Salon Line, mas alerta:

O produto deve ser aplicado apenas no couro cabeludo".

A profissional também ressalta que o uso de condicionador após a lavagem é dispensável.

Hidratação semanal com borrifador

Para evitar que os fios fiquem ressecados, a dica é usar um borrifador com água e máscara de hidratação e aplicar a mistura por todo o cabelo. Em seguida, basta deixar agir pelo tempo indicado e, então, enxaguar. Lembre-se de tomar cuidado para não deixar resíduos nas madeixas.

Secador de cabelo, nem pensar

O uso de secador estimula o aparecimento de frizz e, por isso, Janaína indica que o aparelho não seja usado, mesmo nos dias mais frios. A secagem deve ser feita apenas com toalha e, depois, as tranças devem secar naturalmente. Evite ao máximo deixar o material sintético úmido, ou seja, procure higienizá-las pela manhã.

Abuse dos penteados, mas deixe os fios frouxos

Penteados podem deixar o visual com tranças ainda mais estiloso, mas é preciso ter cuidado na hora de prender os fios, pois se houver muita pressão na raiz do cabelo, os fios podem quebrar. A dica é deixar sempre o penteado mais frouxo.

Manutenção e durabilidade das tranças

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Com o passar do tempo, é normal que as tranças fiquem mais "frouxas" e que algumas partes fiquem soltas. Por isso, fazer manutenção regularmente é fundamental. De acordo com Janaína, o tempo de manutenção e durabilidade depende muito do tipo de cabelo e dos cuidados diários.

Geralmente, a troca é realizada a cada 3 ou 2 meses caso a curvatura seja do tipo 3 ou 4. É indicado que, após esse período, as tranças sejam desfeitas para que os fios passem por hidratações intensas e reposição de vitaminas.

Já as onduladas costumam fazer manutenção mensalmente, pois neste tipo de fio, o aparecimento de frizz é inevitável.

Mulheres brancas de tranças e apropriação cultural

Apesar de serem majoritariamente usadas por mulheres negras, muitas mulheres brancas, com cabelo naturalmente liso, também estão investindo em tranças africanas o que gera um debate sobre apropriação cultural - o termo é usado para se referir à adoção de alguns elementos específicos de uma cultura (aqui representada pela africana) por outro totalmente distinto (neste caso, pelos brancos).

Para a trancista Janaína Cristina Honório, mulheres com todos os tipos de cabelo podem apostar nas box braids, desde que as brancas lisas saibam o que essas tranças africanas representam.

É importante que elas respeitem o que estão carregando, pois cada trança tem o peso de nossas origens", ressalta.

Isso porque, quando usadas apenas por estética ou "modinha", as tranças em mulheres com o cabelo liso também entram na questão da afroconveniência, que é quando um branco se apropria da realidade negra apenas quando é conveniente.

Este é um conteúdo de autoria de SALON LINE e não faz parte do conteúdo jornalístico do UOL.