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Xan Ravelli

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Como é amor e sexo às vésperas de completar meus 40 anos

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Imagem: Reprodução/Instagram
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Xan Ravelli

Xan Ravelli é o nome por trás do Radar digital Soul Vaidosa ativo desde 2013. Vaidosa de corpo e alma, musicoterapeuta por formação, #pretacrespamãede2efeminista, seu Soul Vaidosa foi o primeiro canal do YouTube Brasil a unir temáticas em beleza e feminismo negro.

Colunista de Universa

28/02/2021 04h00

Minha história com o amor romântico não começou muito bem - como praticamente todas nós, que crescemos assistindo as donzelas brancas, indefesas contra as forças da paixão dos filmes da Disney. Crescemos ouvindo Vinicius de Moraes e os outros homens brancos da bossa nova cantando que "é impossível ser feliz sozinho", "há sempre uma mulher à sua espera com os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão" e outros desserviços que contribuíram para construção de um pensamento errôneo sobre o que o amor romântico deveria ser.

Esse amor que me contempla em individualidade e que me acompanha na vida hoje é bem diferente do que eu idealizava quando criança e do que eu abri mão na adolescência por entender que não era pra mim. Me contentava com migalhas, me colocava de lado, performava sexo a partir do que era excitante aos olhos do outro. Eu nunca fui a protagonista no meu filme romântico ou do meu pornô.

Eu demorei bastante tempo para entender a sexualidade como um conceito fluido, que me permitiu entender e viver minha bissexualidade sem culpa. A gente não precisa limitar os desejos. Importante após essa afirmação pontuar que falo aqui de duas (ou mais) pessoas adultas, conscientes e numa relação consensual - dito isso vale viver seus desejos não se prendendo à caixa que você acreditava pertencer. Talvez essa caixa nem exista e você está se colocando num espaço limitador de tesão.

O erótico não precisa ser limitado ao que excita o outro, muita coisa muda quando esse olhar investigativo a respeito do nosso tesão deixa de ser vendido pra um filme pornô com seus gemidos meticulosamente ensaiados e ângulos perfeitos.

Não é um mergulho simples, mas faz parte de um autoconhecimento erótico poucas vezes proposto - conheço muitas mulheres adultas que se apavoram com essa ideia de deixar os dedos da outra pessoa deslizar lentamente pelo seu corpo nu enquanto você se concentra nas sensações do toque na sua pele. Medo de quê? De prazer? De se entregar ao toque da outra pessoa?

Qual é a foda que você quer hoje? Mais devagar e cheia de sensações? Úmida, com pegada forte, puxão de cabelo, uns tapas na bunda e mordida na nuca? Uma rapidinha só pra aliviar o estresse? Por que não alinhar essa expectativa com parceire?

Nesses meus 30, 30 e poucos e 30 e muitos eu aprendi a falar, a pedir, a sinalizar e acredite, é muito melhor isentar a pessoa que está transando com você dessa obrigação de entender o que você quer, até porque isso dá liberdade pra que a outra pessoa fale também, o que te isenta um trabalho de adivinhação nem sempre preciso e exato.

E um dia a gente aprende a dissociar o tesão, a vontade de transar, do amor, que é essa entrega descompromissada, maravilhosa e que vem em muitas formas, por vezes até mais satisfatórias que o romântico - entre meus amores favoritos estão amor de filho, de mãe e de amigas.

E dá pra gozar sem amor, dá pra ter uma vida sexual saudável sozinha (com sua mão, travesseiro, vibrador), dá pra amar uma pessoa e ter vontade de transar com várias. Dá pra ter boas amigas como único e verdadeiro amor e sair transando com quem quiser por aí.

Me digam aí vocês que já tem 40 anos, ou que já passaram dos 40, se é séria essa história de melhor momento para viver o amor e o sexo? Aos 30, minha gratidão, porque foi doce, foi molhado, foi gostoso, foi transformador, foi gigante!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL