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Dedo podre é hereditário? Sim, mas tem cura!

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Carol Tilkian e André Lage André Lage

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Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Colunista do UOL

21/10/2020 04h00

Você já parou para pensar sobre como é a sua forma de amar? Sim, porque o amor não se expressa da mesma maneira pra todo mundo: cada pessoa tem o seu jeitão e grande parte dos desentendimentos nas relações surgem justamente daí. Pra algumas pessoas amar é cuidar (e ficar grudado) enquanto outros se sentem sufocados e pulam fora quando as coisas começam a ficar mais sérias. Tem gente que busca a felicidade no amor mas tem gente que gosta daquele amor sofrido.

E muitos vivem reclamando que nasceram com o famigerado dedo podre, porque só escolhem os indisponíveis. Mas trago boas novas: esse seu talento pra escolher "errado" não é nato, você aprendeu ele na infância...e já que ele foi aprendido, ele também pode ser desaprendido.

Freud explica

Há algumas semanas fizemos uma live no YouTube com o psicanalista Júlio Moreno sobre as feridas de infância e foi um divisor de águas. Eu sempre achei meio papo de autoajuda esse troço de criança interior e nunca tinha dado muita importância a isso. Claro que eu achava que as experiências que tive na infância fossem relevantes, mas não determinantes já que eu me via como um adulto desconstruído e levemente analisado. Mas foi então que eu descobri que o buraco é um pouco mais embaixo...

A novidade que Júlio trouxe foi que aprendemos sobre nossas emoções (inclusive o amor) até os oito anos de idade. E como crianças não têm muitos filtros, não importa muito quão torta era a dinâmica do amor na sua casa, era ela que você ia absorver no seu inconsciente como a verdadeira. Não é que temos literalmente uma criança interior, mas foi nessa idade que você absorveu esse conjunto de neuroses e estratégias amorosas que você usa até hoje pra navegar pela vida amorosa.

Entendeu a dimensão da encrenca? Sim, somos adultos com emoções pilotadas por crianças pré-adolescentes.

A origem do dedo podre

Uma das feridas de infância mais comuns no consultório é a do abandono. Aqui não importa se a criança foi abandonada de fato ou não, mas se ela se sentiu abandonada pelos pais em alguma situação. Esse adulto carrega nos porões da mente o medo de ser deixado de novo e isso gera dois comportamentos: ou vai pular fora das relações antes de ser abandonado ou então procurar pessoas indisponíveis, perfeitas pra reviver essa emoção da infância. Sabe essas pessoas que se jogam de cabeça nas relações e os crushes indisponíveis pulam fora porque achavam que estava indo rápido demais? Por trás dessa ansiedade existe uma estratégia pra reforçar essa ideia de ele vai ser sempre abandonado. E se está rolando identificação aí, deixa te contar o que bateu pra mim.

A culpa não é dos astros

Assim como muita gente, eu cresci em um lar onde a relação dos meus pais não era exatamente calma e tranquila. Durante semanas estava tudo bem, mas a cada tanto rolava um arranca-rabo regado a álcool e gritaria. Sou escorpiano, então sempre coloquei a culpa no signo por ser ciumento e pelas brigas ocasionais, mas durante a live foi ficando claro aquele link que dispara o riso nervoso sabe?

Comecei a rever minhas últimas relações e descobri o exato mesmo padrão dos meus pais: semanas de paz e amor, mas a cada tanto uma crise por motivos dos mais diversos (em geral envolvendo álcool). Eu já cheguei ao absurdo de ter uma discussão enorme em meio ao Central Park em Nova York com um ex pra definir se 0 fahrenheit era o mesmo que 0 grau célsius, ou seja, pelo sexo dos anjos!

Por mais irracional que isso pareça, esse era o amor que tinha observado em casa e não tinha nada a ver com a astrologia. Eu tinha aprendido que amor tinha que ter pitadas de novela mexicana e cada vez que eu revivia essa emoção da briga, eu me assegurava que estava amando "de verdade". E o contrário também valia: se as coisas estavam calmas demais, devia ser porque a relação estava esfriando. Quer dizer, tudo errado né?

A arte de desaprender

Se por um lado é doloroso a gente entender que quem manda dentro de nós é esse fedelho, por outro lado é um alívio enorme! Nessas de se identificar com o signo e com jeito esquentado, eu sempre achei que minhas relações fossem ser eternamente turbulentas como as últimas - porque eu ERA assim. Entender esse processo interno me fez ver que é possível mudar, até porque tô ficando velho pra brigar tanto assim). Quero a sorte de um amor tranquilo, como cantava Cazuza. Não estou falando que seja fácil, porque foram 35 anos desse jeito, mas eu quero e vou mudar. Haja terapia e autoconhecimento!

Me sinto um ratinho de laboratório que resolveu parar e sair da rodinha. Não sei pra onde vou nem como vou chegar lá, só sei que não dá pra rodar pra sempre sem sair do lugar.

Se você quer saber como sobreviver à solteirice em tempos de likes, segue a gente no YouTube e no Instagram. Toda semana a gente entrevista solteiros, especialistas e divide nossos aprendizados e teorias. Mande histórias e dilemas que a gente transforma em pauta!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.