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Se Conselho Fosse Bom

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Socorro, acho que meu marido entrou para uma seita"

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Imagem: Pexels
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Karin Hueck

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados. "Se conselho fosse bom" é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas

Colunista de Universa

14/08/2021 04h00

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

Sou casada há sete anos. Eu e meu marido, a gente tinha uns problemas principalmente de dinheiro, mas acho que eram normais de qualquer relação. No ano passado, ele ficou desempregado e começou a ficar muito tempo em casa. Primeiro, ficou um tempão sem falar comigo. Eu fui várias vezes tentar falar com ele, mas nada. Aí uma hora ele começou a falar - só que com uma "terapeuta". Primeiro, eu achei ok. Mas depois comecei a achar estranho. Pelo que entendi, ela faz uns tipos de "curas" e "trabalhos" espirituais com luzes, auras, visões... Só que ela precisa de muito dinheiro para isso. Meu marido começou a mandar dinheiro não só para as sessões dele, mas também pra apoiar o resto do trabalho dela. Eles conversam por horas ao longo do dia e vejo que ele fica sempre ansioso olhando pro celular. Colocaram ele num grupo de Whatsapp com outras pessoas que fazem esses "trabalhos" e agora, ele passa as madrugadas conversando com essas pessoas. Ele me diz que vê luzes também. Eu fico com todo o trabalho da casa, além do meu emprego, e sei que ele está gastando um dinheiro que a gente nem tem. Agora ele quer viajar para outro estado com esse grupo, não sei como. Não quero viver assim, o que eu faço?
- Devo aceitar a seita?

- Cara Devo aceitar a seita,
Mas que lambança, hein? Acho que tem várias coisas acontecendo em paralelo por aí, e concordo que todas elas precisam parar. Esse tipo de pessoa como a terapeuta (sic) do seu marido, que oferece e soluções fáceis para problemas complexos, costumam ser muuuito carismáticas e manipuladoras. Cair no papo delas infelizmente é mais comum do que se imagina, especialmente com quem se encontra em um momento de fragilidade. O seu marido precisa começar a enxergar essa mulher como a manipuladora que ela é. Acho que você vai encontrar alguma dificuldade nisso, porque me parece também que o seu marido está emocionalmente envolvido com ela, vide os papinhos de madrugada. Acho que a primeira coisa que você precisa fazer é ter uma conversa séria com ele, na qual você aponte os comportamentos alarmantes que ele está tendo. Tente não formular como uma queixa de ciúme, mas mostre que não é normal ver luzes, passar a madrugada falando com estranhos e mandando dinheiro para desconhecidas. Ao mesmo tempo, é notório que nem sempre o cônjuge é o meio mais eficiente para fazer alguém cair em si. Procure outras pessoas de confiança que possam ter essa conversa com ele. A mãe, amigos, irmãos, pessoas que ele respeite. Se nada mudar, avalie o quanto você consegue ficar por perto. O que não pode acontecer é essa seita acabar te sugando também.

Oi, preciso de ajuda. Ano passado, eu e minha esposa começamos a construir nossa casa própria e recentemente finalizamos. Já nos mudamos, mas a minha esposa ainda tem dificuldades em abandonar o ninho da casa dos pais. Ela está dormindo aqui todos os dias, mas o café da manhã, almoço e janta ela faz com eles. De manhã, ela precisa ir cedo para lá para ajudar o pai, que tem problemas de saúde. Às vezes, eu vou junto, mas não me sinto confortável em ir todos os dias, pois o meu desejo é ficar na nossa casa e curtir os momentos com ela aqui. Hoje ela veio choramingando até mim pedindo minha ajuda. Me explicou que está com muita ansiedade, seguida de estresse e pânico, pois, quando ela está aqui, ela gosta, mas fica pensando nos pais dela e nos bichinhos de estimação. Quando ela está na casa dos pais, ela fica pensando que não está aqui comigo. Nos abraçamos e tentei acalmá-la explicando que a mudança é uma coisa simples e não deve ser vista da forma que ela está visualizando, até porque a casa dos pais dela fica a praticamente 20 metros da nossa e qualquer coisa fica muito fácil ir de um lado para outro.
- Quem casa quer... os pais?
- Caro Quem casa quer os pais
Entendo a sua frustração, mas não concordo que uma mudança de vida como um casamento seja uma coisa tão simples assim. Nem todo mundo se adapta tão rápido a esse novo papel, ou ao peso que um compromisso como esse pode ter - e isso não quer dizer que ela não goste de você. Ao mesmo tempo, não dá para ela ficar fingindo que mora com você, enquanto passa o dia todo com os pais. Primeiro, acho que você pode dar um pouco mais de tempo para ver se ela aceita que agora ela tem outro lar. Tente fazer sugestões, tipo: "Pensei em fazer um jantar para nós, o que acha? Acho importante a gente passar mais tempo juntos". Se não surtir efeito, seja mais incisivo. Explique que é claro que ela deve cuidar do pai doente, mas que passar o dia todo por lá é outra coisa. Diga também que, se vocês não conviverem de verdade, dificilmente esse casamento vai para frente. E isso, infelizmente, não é uma ameaça - é uma realidade.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL