PUBLICIDADE

Topo

Se Conselho Fosse Bom

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Eu perdi o meu senso de humor. O que está acontecendo?"

iStock
Imagem: iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Karin Hueck

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados. "Se conselho fosse bom" é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas

Colunista de Universa

30/06/2021 10h32

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

Eu sou o famoso cara das piadinhas, sejam elas boas ou ruins. Sempre acreditei que, apesar de todos os problemas que uma pessoa possa ter, se ela rir, mesmo que por um segundo, nesse segundo, ela esquece de tudo e se concentra apenas em um momento puro e inocente de felicidade. Por este motivo, eu sempre fui o amigo brincalhão, cheio das piadinhas. Mas, recentemente, tenho visto o lado podre da humanidade, porcos disfarçados com carcaças humanas, governantes que não nos representam. Pessoas não pensam duas vezes antes de passar o próximo pra trás, visando vantagem própria. Então, pra que continuar tentando fazê-los rir? Se estamos fadados a sofrer, então qual o sentido da vida a longo prazo? Se não somos imortais, e todos vão morrer um dia, pra que prolongar o inevitável? A única coisa que consigo pensar ultimamente é que quero que o mundo queime, que o juízo final seja verdade e que todos sejam julgados, que eu consiga ver todos queimando por seus pecados, e, das cinzas, renasça algo aproveitável. Então me aconselhe, sra. colunista de Universa, como eu passei de querer ver os outros rindo e felizes, para querer vê-los queimando e sofrendo por suas ações? Seria eu o culpado, ou o mundo por como ele é?
- Ex-engraçado

- Caro ex-engraçado
Eu acho que você deveria procurar um médico ou terapeuta. É completamente normal o cansaço que você está sentindo - ninguém consegue ser o palhaço da turma o tempo todo. Estamos em tempos todos muito sombrios - a pandemia, meio milhão de mortes, não tem vacina. Estranho seria você manter o bom humor. Mas, pelo que você descreve, você passou por uma mudança brusca de comportamento, o que pode ser sinal de algum transtorno, alguma depressão. O jeito que você descreve os seus desejos (todos vamos morrer, quero que o mundo queime, quero ver todo mundo queimar) também é bem apocalíptico. Acho que uma (ou algumas conversas) com profissionais que lidem com saúde mental podem te fazer bem. Não é só o corpo que adoece, as nossas mentes também - mas felizmente há tratamento. Espero que você volte logo a ser o fanfarrão de sempre.

Sempre tive uma vida financeira razoável. Casei e tenho 1 filha. No começo do casamento, era tudo lindo e maravilhoso. Eu tinha meu imóvel financiado, vida financeira estável e eu e minha esposa sempre nos completamos na cama. Ocorre que, de 5 anos para cá, fiz escolhas erradas na minha profissão das quais me arrependo, pois perdi o meu trabalho e, consequentemente, meu imóvel financiado. A partir daí, passamos a ter problemas no casamento, não conseguindo pagar aluguéis e tendo que nos mudar a cada 1-2 anos devido a problemas financeiros. Com a chegada da pandemia, aí tudo lascou, pois a minha renda caiu muito e as contas ficaram atrasadas, de modo que as brigas se tornaram constantes, a ponto da minha esposa mandar eu embora de casa. Voltei a morar com meus pais, porém, 3 meses depois, resolvemos voltar, pois minha filha estava sofrendo muito com a separação. O problema é que a minha vida financeira não mudou de lá para cá, fazendo com que as minhas dívidas se acumulassem novamente, ocasionando brigas e desentendimentos diários. Por causa disso, mal estamos nos falando e sexo não existe mais. Já tentei conversar. Está difícil viver assim. O que eu faço?
- Nem tão provedor assim

- Caro Nem tão provedor assim
Problemas financeiros realmente têm esse poder de contaminar tudo ao redor. É difícil manter o afeto quando as contas estão atrasadas e o aluguel do mês não está garantido. Nesse sentido, é esperado que vocês estejam passando por dificuldades no casamento. O que não ficou claro, no entanto, é se a sua mulher também trabalha ou por quê a responsabilidade financeira da casa fica toda sobre você. Se a sua esposa estiver trabalhando ou procurando emprego, ignore o que eu vou dizer a partir de agora, mas, se não, lá vai: sua mulher também pode e deve contribuir nas contas do lar. Resolvam juntos como farão com os cuidados da filha e organizem as possibilidades de renda que vocês têm. Tentem renegociar suas dívidas. Não tenho nenhuma solução mágica para o seu problema, mas lembre-se: esse novo acordo - um que conte com a colaboração dos dois para pagar as contas - terá de ser feito independentemente de vocês se separarem ou não.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL