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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Jô e Militão: por que tantos jogadores fogem da responsabilidade como pais?

 Maiára Quinderolly e jogador Jô                              - Instagram/Reprodução
Maiára Quinderolly e jogador Jô Imagem: Instagram/Reprodução
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Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

20/06/2022 15h30

Nos últimos dias, dois jogadores de futebol viraram notícia por causa da maneira como tratam as mulheres. Em especial, mulheres grávidas. A primeira "confusão" envolve Jô, ex-jogador do Corinthians. A modelo Maiára Quiderolly revelou que estaria grávida dele, que teria sumido depois de saber a notícia. Em seguida, a então esposa de Jô, Cláudia Silva, disse que ele teria pelo menos cinco filhos fora do casamento e pediu a separação.

A história de com Maiára envolve aquelas baixarias que parecem comuns para jogadores de futebol, como pedido de teste de paternidade e acusações de fãs de que as mulheres teriam dado o "golpe da barriga". Atenção: nesse caso, são os homens que traem, mentem e negam apoio às mulheres grávidas e seus filhos. E são as mulheres que acabam culpabilizadas por supostos golpes? Não é justo.

"Não nos falamos mais desde que falei que ele era o pai. Mas se ele se arrepender, quiser ser pai e termos uma relação de amizade para o bem da criança, eu estou totalmente aberta", disse Maiára.

A responsabilidade pela criação das crianças, claro, fica com as mulheres. Os homens, no caso, acham que podem "se fazer de loucos".

Foi o que aconteceu com a influenciadora Karoline Lima, esposa de Éder Militão, que joga no Real Madrid. Ao engravidar, ela foi acusada de interesseira e de dar o "golpe da barriga". Agora, no fim da gestação de uma menina, ela usou as redes sociais para desabafar. Disse que está em Madri (onde mora com o jogador) sozinha, sentindo dores, enquanto o marido e pai da filha estaria, segundo ela, "nas melhores baladas de Miami". "Às vezes dá vontade de sumir", ela desabafou.

Jô e Militão não são os únicos jogadores a se envolverem nesse tipo de trama e a deixarem mulheres e filhos na mão. São comuns os casos de jogadores que são processados e até presos por não pagarem pensão.

No fim de maio, o ex-jogador do Flamengo e atual atacante do Remo Erick Flores foi preso pela segunda vez por não pagar pensão. Ele foi liberado depois de um acordo. Segundo informações, ele deve mais de 250 mil reais para os seus filhos. Em março, foi divulgado que Caiuby Francisco da Silva, ex-jogador do Corinthians e que hoje joga na Grécia, também estava sendo processado por não pagar pensão para seu filho de três anos.

O que acontece com esses sujeitos? Para começar, eles ganham muito dinheiro cedo, se acham invencíveis e viram uma espécie de adolescentes com alto poder econômico.

Outro problema: muitos crescem, mas continuam infantilizados, agindo como se fossem meninos (e é assim que são tratados por muitos comentaristas e técnicos), sendo que são adultos e têm responsabilidades. E não, as mães dessas crianças não são tratadas como meninas que não sabem o que estão fazendo. Elas cuidam dos filhos. Não os deixem na mão.

É curioso e Freud explica

Muitos desses jogadores foram, eles mesmos, abandonados por seus pais. Um levantamento feito em 2018 mostrou que seis dos 11 titulares da seleção eram filhos de mães solteiras.

Não por acaso, eles costumam tratar suas mães como grandes guerreiras e são devotados a elas. Será que eles não conseguem perceber que as mães dos seus filhos também merecem bom tratamento e que eles estão repetindo suas próprias histórias?

Além de bons técnicos, psicanalistas poderiam ajudar bastante os homens do futebol... As mulheres e seus filhos agradecem.