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OPINIÃO

Rodrigo do BBB e o fenômeno do 'hétero top' que quer posar de desconstruído

Rodrigo Mussi, participante do "BBB 22" Imagem: Reprodução/Instagram
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Nina Lemos

Colunista do UOL

24/01/2022 12h49

Desde a primeira edição do "BBB", um tipo sempre fez sucesso: a dos homens bonitos, malhados e padrão, o chamado "hétero top". Aqueles fortinhos que "pegam geral" e nasceram privilegiados.

Nos últimos anos, ficou claro que não basta ser "hétero top" para fazer sucesso no programa. É preciso também ser desconstruído, aberto, um cara que quer evoluir. Isso criou uma categoria à parte, a dos hétero top em desconstrução. Bem, pelo menos é o que eles dizem. Esse tipo não existe só no reality, claro. Afinal, atualmente pega bem falar que é feminista e apoia as minorias. Esses caras morrem de medo de ser "cancelados".

Mas a verdade é que, quando relaxam, têm atitudes homofóbicas, transfóbicas, machistas e racistas.

O exemplo do momento desse tipo de homem é Rodrigo, o participante do BBB que em uma semana de programa já conseguiu irritar mulheres, negros e LGBTs.

Traveco?

Sua gafe mais gritante foi contar uma história sobre "um traveco" e depois perguntar para a cantora Linn da Quebrada, que é travesti, se usar a palavra era ofensivo. É óbvio que "traveco" é superofensivo e transfóbico.

Linn teve a paciência de explicar isso para Rodrigo. Impressionado, ele comentou com outro participante que Linn "tinha tudo para ser uma daquelas mulheres chatas, mimimi, mas era leve". Mimimi seria o quê? Se revoltar com o fato de que a idade máxima que travestis e transexuais atingem no Brasil é, em média, 35 anos, já que esse é o país onde elas mais são assassinadas? Mulheres que lutam pelos seus direitos são chatas?

Bem, chato (desculpem a franqueza) é homem hétero que sai por aí querendo que a gente seja professora deles.

Rodrigo acha que o mundo gira ao seu redor e que as pessoas têm que parar e ensiná-lo. E, escuta, ele é um homem de 36 anos. Um adulto. Mas aí está uma característica básica de um hétero top: o mimo.

A outra é a autoestima gigante, aquela que só os garotos que eram vencedores e do time de futebol da escola têm. Ele já disse várias vezes na casa que era um cara superlegal, que era superbom de conversar com "gays" e "esse tipo de gente". Não, ele não se acha nada homofóbico, já que "até tem amigo gay". Ele disse também que tem muitas amigas mulheres.

Não parece. Ou ele não aprendeu nada com as amigas. Em uma das cenas mais absurdas do reality até agora, Rodrigo tenta beijar Bárbara na primeira festa da casa. Ela diz que não. E ele responde: "Então vai tomar no c*". Sim, é assim que esse tipo de homem lida com rejeição. O pior: quase todas as mulheres já conheceram um cara assim, aqueles que nem te conhece, puxam seu cabelo na balada e, quando você responde, falam: "Vai se f*, sua chata!".

Esse tipo de coisa acontece muito. Esses são os mesmos caras que chamam trans e travestis de travecos. Eles sempre existiram. A diferença é que agora eles querem pagar de desconstruídos (com a mulheres, negros LGBTs de professores). Não vai rolar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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