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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'BBB 22' aposta em núcleo forte de boys lixo para gerar irritação

Participante do "BBB 22", Arthur Aguiar  já foi acusado pela esposa, Mayra Cardi, de abuso emocional - Reprodução/Instagram
Participante do 'BBB 22', Arthur Aguiar já foi acusado pela esposa, Mayra Cardi, de abuso emocional Imagem: Reprodução/Instagram
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Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

17/01/2022 12h32

Já há muitos anos a produção do "BBB" investe em um tipo de personagem para "causar" dentro do programa e fora dele. Trata-se do núcleo "boy lixo", que inclui toda uma variedade de homens com comportamento tóxico, como abuso emocional, homofobia, temperamento violento e por aí vai.

Quem tem esse comportamento está próximo de cometer crimes. Mas a rede de TV parece não se importar. Senão, já teria mudado de estratégia. No ano passado, o cantor Rodolffo foi acusado de racismo. Ele fez também vários comentários homofóbicos dentro do programa. Mas o caso mais "chocante" foi o de Marcos Harter, expulso da casa depois de abusar da namorada Emily. Sim, ele quase a espancou na frente de todo mundo, inclusive crianças, que assistiam ao programa.

Esse ano, a produção do "Big Brother Brasil" não só não se intimidou com a possibilidade de crimes serem cometidos dentro da casa, como investiu pesado no núcleo dos boys lixo.

O nome por enquanto mais famoso entre eles é o de Arthur Aguiar, que já foi acusado pela esposa, Mayra Cardi, de abuso emocional. Ele também teria traído a coach mais de 50 vezes.

O que a direção do programa espera com essa participação? Que ele traia novamente. E que Mayra reclame e que isso gere mais e mais engajamento.

O mesmo vale para a participação de Pedro Scooby, que, apesar de ser surfista, é conhecido pelo grande público por ser pai dos três filhos de Luana Piovani. Uma das acusações que Luana já fez contra ele foi a de não pagar pensão. Ou seja: qual é a ideia? Que a mulher, do lado de fora, "surte". Ou seja, os boys são lixo. Mas as loucas, claro, são as mulheres.

Os produtores do programa contam também com a irritação de todos aquelas (e aqueles) que defendem as minorias.

Afinal, se houver um caso de abuso dentro do programa, de racismo, o que vamos fazer? Reclamar muito nas redes sociais (o que é ótimo para a Globo, ainda mais em uma época em que a palavra "engajamento" manda em tudo). E, claro, votar para que o machista saia. Também iremos, certamente, assistir ao programa no dia em que o boy lixo finalmente for para o paredão, para torcer para que ele saia.

O programa ainda nem começou, mas grande parte das mulheres já sabe que pode se irritar também com o atleta Paulo André, que já fez vários posts misóginos e homofóbicos nas redes sociais. Um deles: "Piranha faz momento, mulher faz história". Sentiram o nível? Sua equipe, inclusive, tem feito uma limpa em sua rede social.

O outro cotado para fazer parte do núcleo boy lixo é o estudante de medicina Lucas Bissoli, apoiador das ideias do presidente Jair Bolsonaro. No vídeo em que se apresenta, ele se autointitula o "rei da piscadinha". Ou seja, ele se acha.

Claro, podemos nos surpreender, esses caras podem não apresentar comportamento tóxico dentro do programa.

Mas a experiência mostra que, em se tratando de reality show, é mais fácil que outros homens tóxicos se revelem.

Não é problema para a Globo, que deve até torcer para isso. A emissora está interessada em vender anúncios e bater recordes de audiência, não em passar bons valores.

Ou seja, para eles, quanto mais boy lixo, melhor?