PUBLICIDADE

Topo

Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Nanda Costa presta serviço ao compartilhar dificuldade de parto prematuro

Nanda Costa e Lan Lanh com as gêmeas Kim e Tiê - Reprodução/Instagram
Nanda Costa e Lan Lanh com as gêmeas Kim e Tiê Imagem: Reprodução/Instagram
Conteúdo exclusivo para assinantes
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do Universa

23/11/2021 04h00

"Momento lindo", "parto perfeito". Desde que virou um hábito (bom e saudável) fazer relatos de partos no Instagram, essas frases são muito ditas. É comum também que algumas mulheres publiquem fotos perfeitamente maquiadas, com os cabelos arrumados.

Não sou mãe. Mas tenho amigas que são e sei muito bem que a hora do parto é super importante, linda, mas, para muitas pessoas, não é perfeita. Para muitas outras, nem é "linda", mas assustadora.

Por mais que a gente saiba que nas redes sociais quase todas as fotos tenham um filtro que faz tudo parecer maravilhoso, ver tantas imagens e depoimentos sobre "momentos mágicos" fazem a gente achar muitas vezes que só conosco as coisas dão errado e são difíceis. E não falo só de parto, mas de tudo mesmo.

É por isso que a atriz Nanda Costa, que expôs seu parto complicado e com lágrimas — não só de alegria — no Instagram, prestou um serviço e pode ajudar muitas mulheres (principalmente as mães, mas não só elas) a não se sentirem sozinhas e nem piores do que as outras.

Explico: Nanda, mãe, junto com sua esposa Lan Lanh, das gêmeas Kim e Tiê, usou o Instagram para fazer um relato do seu parto, uma cesariana de emergência com momentos muito difíceis. Ela contou, entre outras coisas, que uma das gêmeas teve que ir para a UTI e que ela mesma, Nanda, teve que voltar para o hospital depois de ter alta e ficar internada na terapia intensiva. "Nasci mãe no susto e 'padecer no paraíso' nunca fez tanto sentido. Tive que me dividir entre quarto, UTI e lactário para tirar leite e alimentar a pequena Kim, que nasceu com 1.600 gramas", contou.

E observou: "Tem uma parte da vida que a rede social não mostra e, como estamos vivendo tempos de julgamentos cada vez mais difíceis, às vezes preferimos focar em compartilhar as alegrias. Mas hoje eu decidi dividir o quão difícil foi e tem sido."

Compartilhar dificuldades é mais raro, mas é muito corajoso e, de fato, pode ajudar as pessoas. As redes seriam mais saudáveis se mais pessoas dividissem momentos difíceis e não apenas aqueles onde tudo parece bonito e a legenda diz: "Ô sorte".

No mesmo dia em que li o relato de Nanda, outra amiga contou que tinha passado por uma situação parecida no Instagram. Assim como Nanda, ela teve uma cesariana de emergência e seus bebês prematuros precisaram ir para a UTI.

Elas não são as únicas. No ano passado, 11,2 % dos partos realizados no Brasil foram de bebês prematuros.

Ou seja: muitas mães passam por situações como a de Nanda, Lan Lanh e minha amiga.

Essa é uma situação difícil que sou capaz apenas de imaginar. Mas existem mil outros momentos difíceis que passamos na vida que seriam mais fáceis se mais pessoas compartilhassem as dificuldades. Valeu, Nanda.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL