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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A Fazenda: Dayane Mello é exemplo de mulher machista que se acha "sincera"

Reprodução/RecordTV
Imagem: Reprodução/RecordTV
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Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

16/11/2021 10h45

Ela vive falando mal de outras mulheres, inclusive de suas aparências. Se sente no direito de criticar o corpo de uma amiga (e ainda acha que faz isso porque é "sincera" e "fala verdades") e desconfia de relatos de agressões sofridos por outras mulheres. Resumindo: ela é uma mulher machista. E, sim, elas existem.

Em uma sociedade machista, existem mulheres que, em vez de apoiarem as outras, participam ativamente da opressão. No reality show "A Fazenda", a modelo Dayane Mello, uma das participantes mais tóxicas do programa (ela já foi acusada de racismo mais de uma vez e, sempre bom lembrar, racismo é crime) é um exemplo quase caricato deste tipo de mulher.

A edição atual do reality, que nos brinda com todos os tipos de homens abusivos e machistas, nos traz também um exemplo desse outro fenômeno que, por mais triste que seja, é mais comum do que a gente gostaria: a feminilidade tóxica.

Logo no início do programa, ela já prestou o desserviço de duvidar das acusações contra Nego do Borel. Sim, ela mesma, a participante que sofreu uma tentativa de estupro dentro do programa por parte do cantor. Antes de acontecer com ela, duvidou das acusações contra ele feitas por ex namoradas, entre elas a cantora Duda Reis. Segundo Dayane, as mulheres que acusaram mentiram e Borel seria um "pobre coitado".

Nos últimos dias, Dayane tem dado outros exemplos desse tipo do machismo feminino. Ela tem criticado a aparência de outras mulheres de maneira cruel.

Em uma das cenas do programa, a modelo Valentina Francavilla fez um novo penteado e resolveu experimentar um biquíni, feliz da vida junto com a amiga Dayane. Isso é uma cena cotidiana na vida de nós, mulheres. Provar roupa junto e pedir opinião da amiga é um ato de cumplicidade. Mas o que Dayane fez? Observou o corpo de Valentina e soltou: "Essa sua barriga está meio inchadinha, né, amiga?". Em outro momento, ela falou mal do cabelo de Aline Mineiro. Podre. Mas, infelizmente, quase todas as mulheres já encontraram outras assim.

O pior desse tipo de "amiga" é que em geral elas acham que são sinceras, "falam verdades" e que esses comentários são para o nosso bem. E não, não são, mesmo inconscientemente, são para nos magoar e nos diminuir.

Vivemos reclamando de homens que são "sommelier de corpo feminino". Mas não é que Dayane também é assim? Além de comentar sobre a "barriga inchada" da amiga, ela já falou mal do corpo de Marina Ferrari, porque, segundo ela, "um corpo feminino e musculoso é feio". Dayane chegou a dizer que Marina "parecia um homem". Existe comentário mais machista? Para justificar o absurdo, ela disse que era "modelo e observava".

A sua profissão também foi usada de desculpa também para uma fala racista. Nos últimos dias, a modelo foi parar no Trend Topic do Twitter por falar que a pele clara era mais elegante. Segundo ela, isso não foi racismo, mas a "constatação de uma tendência".

E, claro, como a maioria das mulheres machistas, ela usou a sua suposta sinceridade e o fato de "falar na cara" para justificar todos esses absurdos.

Dayane nem deve perceber o quanto compete com outras mulheres e o quanto isso é ruim para ela mesma. Mas, se você encontrar com uma colega desse tipo, fuja. Uma mulher machista vai acabar te magoando.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL