PUBLICIDADE

Topo

Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lázaro Ramos diz que fofocar ajuda a manter relacionamento. E ele tem razão

Taís Araújo e Lazaro Ramos comemoraram 17 anos de casados - Reprodução/Twitter
Taís Araújo e Lazaro Ramos comemoraram 17 anos de casados Imagem: Reprodução/Twitter
Conteúdo exclusivo para assinantes
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

15/11/2021 12h22

Taís Araújo e Lázaro Ramos formam um dos casais mais desejados do Brasil. Eles são conscientes, legais, não expõem a vida deles demais, têm dois filhos lindos (que têm a privacidade respeitada) e estão juntos há 17 anos.

Os dois poderiam dar mil motivos para o sucesso da união. Mas Lázaro Ramos deu uma explicação prosaica. Segundo ele, o que mantém a conexão do casal é a fofoca.

"Nós somos opostos. Ela é emocional e eu sou racional, mas temos algo que nos une e muito: o humor e a fofoca". Ele disse ainda que era fofoqueiro. E as mulheres do Brasil suspiraram mais pelo Lázaro do que já faziam antes.

Isso porque um homem que tem senso de humor e gosta de fofocar (e assume isso) é atraente, sim. Não estou falando, de forma alguma, em fofocas do mal, tipo falar de como era o sexo com uma ex-namorada (isso é desrespeito, não é fofoca) ou julgar os outros (não é fofoca, é patrulha). Homens ou mulheres que praticam esse tipo de falta de respeito podem ser deuses da beleza que deixam de ser atraente na hora.

As fofocas que ajudam os relacionamentos a aguentar os trancos da vida e tornam tudo mais suportável são aquelas que consistem em comentar o último absurdo que a pessoa que não gostamos falou (implicâncias em comum unem os seres humanos), contar casos bizarros que ficamos sabendo e repercutir tretas, seja das redes sociais, do trabalho, de famosos.

Esse tipo de conversa ajuda a manter relacionamentos não só entre casais, mas também entre amigos. E não somos só eu e o Lázaro que estamos falando.

Existem várias pesquisas acadêmicas sobre os benefícios das fofocas.

Um estudo feito por neurocientistas do Dartmouth College, nos Estados Unidos, concluiu que pessoas que falam juntas sobre a vida dos outros se sentem mais próximas e conectadas. Outra pesquisa, feita na Universidade da Califórnia, mostrou que homens gostam de fofocar tanto quanto mulheres. Ou seja, o mito da mulher fofoqueira é mais um que foi criado para nos diminuir. Fato: poucos assumem que gostam de um fuxico. Para isso, é preciso, como Lázaro, ser bem resolvido.

É claro que é impossível que uma relação de verdade se baseie só em fofocas. Isso é inimaginável. A fofoca, ou os "causos", são uma parte da vida e servem justamente para deixar as coisas menos pesadas.

A vida é muito difícil. E, por mais que a gente se preocupe com as questões sociais do mundo e também com as existenciais, a gente precisa de um refresco. Como dizia Caio Fernando Abreu (e sempre lembro dessa frase): futilidade é matéria de salvação. Isso vale para quando Caio escreveu isso em 1994, quando estava internado por complicações do HIV e também como para 2021... Tempos de epidemias requerem algum humor para a gente sobreviver.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL