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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mariana e Enrique, Jada e Will: desviar do moralismo ajuda casamento durar

O casal de atores Enrique Díaz e Mariana Lima, juntos há 24 anos (Reprodução) - Reprodução / Internet
O casal de atores Enrique Díaz e Mariana Lima, juntos há 24 anos (Reprodução) Imagem: Reprodução / Internet
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Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

05/10/2021 04h00

Se você procurar dicas de como manter um relacionamento duradouro (existem milhares de artigos e livros de autoajuda sobre esse "dilema"), vai encontrar dicas do estilo: "faça viagens de lua de mel para renovar o relacionamento", "use produtos, compre lingerie novas e por aí vai. Nunca testei para ver se isso funciona, mas sempre achei essas dicas meio incompatíveis com a realidade.

Afinal, se você está casado já há algum tempo, vai ter momentos em que, por mais que ame, não vai aguentar mais olhar para a cara da pessoa que divide a cama e a mesa todas as noites e dias com você. Então, acho difícil que uma nova lua de mel, uma viagem para ficar grudado justamente com a pessoa que você "não aguenta mais" vá resolver o problema.

Muitas vezes a gente tem vontade de fugir de nossos maridos ou esposas. Ou de "atirar pela janela", como Michelle Obama confessou uma vez se sentir em relação a Barack Obama.

Nas últimas semanas, dois casais longevos, admirados e formados por pessoas incríveis deram dicas mais realistas e que confirmam a minha teoria de que se forçar a fazer tudo junto é uma roubada, e uma maneira não de manter um relacionamento, mas de acabar com ele ou ter um relacionamento infeliz, o que é quase a mesma coisa.

Em entrevista publicada no jornal "O Globo", a atriz Mariana Lima, casada há mais de 25 anos com o ator Enrique Diaz, contou, abertamente, que, no caso deles, ficar com outras pessoas e morar separado é o que fez com que eles continuassem juntos.

"Já viajei várias vezes a trabalho, já me apaixonei por outras pessoas. Sempre tive certeza de que nada substitui o que eu tinha com ele. Vivemos de tudo e há dois anos passamos a morar em duas casas", contou.

Segundo ela, essa é uma maneira que os dois encontraram de continuar juntos: ter mais espaço. Não faz todo sentido do mundo? Não estou falando que todos nós devemos fazer o mesmo. A maioria nem pode. Mas manter espaços de individualidade e dar umas afastadas do parceiro pode ser muito saudável.

No caso de Mariana, ela conta que os dois também têm um casamento aberto, o que significa que eles ficam com outras pessoas. Só não contam um para o outro para não magoar.

Se você deixar o moralismo de lado, talvez perceba que o que funciona para Mariana parece extremamente racional, o que não quer dizer que funcione para todas as pessoas.

Mas, na realidade - e desculpe jogar o balde de água fria nos recém-apaixonados - a gente não para de achar outras pessoas atraentes e apaixonantes só porque está casado com alguém.

O que fazemos, na maioria dos casos, é desviar dessas pessoas interessantes, transformá-las em amigas. O que também não tem nada de errado e muitas vezes funciona. Nesses casos, pensamos que não se pode ter tudo nessa vida (o que é uma verdade) e abdicamos de viver outras histórias em nome de uma maior. E tudo bem.

Mas, para algumas pessoas, uma hora isso para de funcionar. Pelo jeito, esse foi o caso também de outro casal duradouro do mundo das artes: Will Smith e Jada Pinkett Smith. Eles são casados há 23 anos e, como disse Will para a revista "GQ", há alguns anos abriram o relacionamento.

Segundo ele, os dois passaram por uma grande crise há cerca de dez anos. "Nosso casamento não estava dando certo. Não podíamos mais fingir. Estávamos ambos infelizes e claramente algo precisava mudar."

Ele disse também que os dois nunca acreditaram muito em relacionamentos monogâmicos. "Na maior parte da nossa relação, a monogamia foi o que escolhemos, mesmo não pensando na monogamia como a forma de relacionamento mais perfeita."

Para completar, o ator comentou uma coisa óbvia, mas que a gente às vezes esquece: "o casamento não pode ser uma prisão". Claro, tem gente que gosta de fazer tudo junto e não se sente preso nessas horas. Mas, quem sente, merece poder desgrudar. Não tem nada de errado nisso. O que é errado é ser um parceiro/parceira desleal, agressivo e por aí vai.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL