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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Toda mulher apaixonada já foi um pouco como Yasmin Brunet

Gabriel Medina e Yasmin Brunet: quem nunca se apaixonou pelos hobbies do outro? - Pat Nolan/World Surf League via Getty Images
Gabriel Medina e Yasmin Brunet: quem nunca se apaixonou pelos hobbies do outro? Imagem: Pat Nolan/World Surf League via Getty Images
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Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

27/07/2021 15h54

Nos últimos dias, enquanto o marido Gabriel Medina disputava a medalha de ouro em Tóquio, sua esposa, a modelo Yasmin Brunet, virou motivo de piada (de novo, o casal já tinha rendido memes variados devido à insistência dos dois para que Yasmin o acompanhasse nos jogos). A modelo é praticamente um destaque olímpico.

Agora, sozinha, assistindo às disputas pela TV, Yasmin voltou a ser notícia. Isso porque ela realizou lives para torcer pelo marido (que juntou até 50 mil pessoas), gritou, disse que estava com as mãos suando de nervoso, se descabelou. Em um dos momentos da competição, ela chegou a gritar: "o amor venceu!!!."

Bem, Medina perdeu (e isso acontece). Mas o que Yasmin fez? Resolveu denunciar que o campeonato teria sido roubado. Sim, ela usou seu Instagram para brigar com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e pediu para que seus fãs denunciarem uma suposta irregularidade na arbitragem da competição.

Eu não entendo nada de surf, por isso não posso dizer se ela está certa ou errada. O que eu posso falar com propriedade é: confie no conhecimento técnico de uma mulher apaixonada.

Falo isso com propriedade porque já passei por isso mais de uma vez. E, ainda mais na idade de Yasmin, 33 anos, isso chega a ser comum. A gente de fato se apega pelas paixões de nossos objetos de adoração. E, graças à serotonina gerada pela paixão, se conecta a essas obsessões, mesmo que elas não tenham nada a ver com a gente.

A culpa não é só nossa. Os homens também adoram nos mostrar coisas que para a gente não fazem muito sentido, mas que para eles são tudo nessa vida. Aposto que Medina passa horas fala 24 horas sobre surf com a Yasmin. Imagina quantos vídeos de manobra ele não fez a moça ver? Imagina que chatice!

Repito que sei do que estou falando.

Eu nunca gostei de esportes, mas já assisti horas de vídeos de trilhas de bicicleta por causa de um namorado (eu tinha a idade da Yasmin). Uma amiga que tinha fobia de cachorro uma época frequentou pet shops (e sozinha!) porque era apaixonada por um homem que adorava cachorros e por aí vai.

E, de fato, a gente se dedica, estuda os assuntos. Por isso, acredito de verdade nos conhecimentos de surf de Yasmin.

Se é ridículo? Até é. Mas parafraseando Fernando Pessoa: todas as 'obsessões' de amor são ridículas. Por isso, a gente ri hoje da Yasmin. Mas, quem nunca fez algo parecido na vida? A nossa sorte (ou esperteza) é que não tivemos esses surtos de amor na frente das câmeras.

Com o tempo, a serotonina (conhecida como o hormônio da paixão) diminui. E a gente volta à razão e enxerga que estávamos exagerando bastante. Mas guardamos o conhecimento por áreas pelas quais não temos o menor interesse - eu, por exemplo, até hoje em dia amo andar de bike. E também histórias bem engraçadas para contar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL