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Nina Lemos

Enfermeira vacinada contra covid relata: "Clima está otimista na equipe"

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

26/01/2021 04h00

As trabalhadoras da linha de frente da covid, como médicas, enfermeiras e fisioterapeutas, estão há 10 meses trabalhando sem parar. Esse tempo todo elas têm convivido com casos graves do vírus e dando notícias de mortes. Isso tudo muitas vezes sem contar com o apoio da família por perto, já que elas têm medo de contaminar os entes queridos.

Agora, pela primeira vez desde o início da pandemia, elas choraram de felicidade e tiveram uma notícia boa de verdade. Gabriela e Shana, entrevistadas neste blog mês passado, quando relataram o pavor que vivem na segunda onda, tomaram a vacina semana passada e viram também seus colegas se sentirem protegidos pela primeira vez.

A enfermeira Shana Telo, de 40 anos, trabalha em um hospital em Porto Alegre e teve coronavírus duas vezes, além de crises de ansiedade, como a maioria dos profissionais de saúde. "Soube que receberia a vacina na segunda-feira passada. Na terça a notícia se espalhou para a equipe e ficaram todos eufóricos. Na quarta às 13h fui no local de referência buscar as doses para a equipe e as instituições de longa permanência que iríamos vacinar à tarde. No transporte já me emocionei e cheguei chorando."

Ser uma das primeiras a tomar uma vacina no meio de uma pandemia mundial também tem gosto especial, como explica a enfermeira:

Nunca imaginei atuar em uma pandemia, muito menos fazer parte da história com uma vacina tão esperada. Fiquei muito feliz em me imunizar, óbvio, mas vacinar minha equipe, que está sofrendo o dia a dia dessa pandemia desde março foi emocionante

A infectologista Gabriela Diniz, intensivista do Hospital das Clínicas e do Hospital Oswaldo Cruz em São Paulo, também recebeu a vacinação na semana passada e viu pela primeira vez o clima entre os colegas ficar mais otimista.

A enfermeira Shana Telo e o registro que ficará para sempre: o da vacina contra a covid. - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A enfermeira Shana Telo e o registro que ficará para sempre: o da vacina contra a covid.
Imagem: Arquivo pessoal

"A felicidade na equipe é totalmente diferente. Semana passada, passamos o plantão inteiro conversando sobre vacinas, perspectivas, ansiedades e a esperança surgiu na maioria das pessoas. Eu só espero que a gente possa ter doses pra todo mundo num futuro próximo."

A esperança, segundo ela, é de que a vida possa, em alguma hora, voltar ao normal.

Tomar a vacina acendeu uma chama de esperança de que, em algum momento, as coisas irão se aproximar do normal de novo. Ainda vai demorar, tem que ter muito mais brasileiros vacinados, tem muitas vacinas da primeira e da segunda dose ainda a serem administradas, mas vai acontecer!

Apesar do alívio, ela lembra que a epidemia ainda está em um momento seríssimo e que não sabemos quando isso vai passar.

"Quanto ao resto, na prática, nada pode mudar enquanto a vacinação não foi em todo mundo.", diz. Ela lembra também que, apesar do momento de alegria e de esperança, estamos sim, em um dos piores momentos da pandemia.