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Nina Lemos

Biel lança clipe fofo com namorada: você acredita em redenção de boy lixo?

Biel e Tays no estúdio de gravação da sua nova música, Artigo 157. - Reprodução/Instagram
Biel e Tays no estúdio de gravação da sua nova música, Artigo 157. Imagem: Reprodução/Instagram
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

18/01/2021 15h32

O cantor Biel tem uma ficha corrida assustadora. Com apenas 24 anos, ele já foi acusado de agressão pela ex-mulher, Duda Castro, que afirma ter sido agredida fisicamente por ele até perder a consciência. Outras três mulheres disseram já ter passado pelo mesmo. Ele também é acusado de assediar uma jornalista, a quem disse que "se pegasse quebrava no meio".

Além disso, o cantor é famoso por falar frases machistas. Recentemente, no programa "A Fazenda", ele foi abertamente gordofóbico ao se referir a Jojo Todynho.

Ou seja, Biel é tudo, menos um exemplo de cara legal, um rapaz com quem as meninas devam sonhar em namorar. Sinceramente, só de imaginar que alguma adolescente que eu conheço possa olhar para o Biel e pensar: "Queria namorar um cara como ele", eu gelo. Biel é um exemplo de tudo aquilo que não queremos para nossas meninas.

Pois bem, no país onde a cada dois minutos uma mulher é agredida, um cantor que é acusado de agressão acaba de lançar um clipe romântico junto com a namorada, a cantora Tays Reis, mostrando o dia-a-dia de um casal. No clipe da música "Artigo 157", eles cozinham, dançam, todo um cotidiano feliz. O vídeo é bem feito e a música tem tudo para fazer sucesso entre adolescentes. E aí?

"Ah, mas ele pode ter mudado", dizem. "Ah, ele merece uma chance". Bem, chance, no caso de Biel (e no da maioria dos homens brancos brasileiros) é o que não falta. Depois de todas essas acusações, ele virou ano passado um dos grandes destaques do programa A Fazenda. Ele ficou em segundo lugar no reality - perdeu para Jojo Toddynho.

Na entrada na Fazenda, ele disse que iria mostrar quem realmente era. Mostrou ser um sujeito de temperamento violento, com tendência a manipular no jogo.

Ser machão e, não vamos esquecer, ter sido acusado de agressão, ainda compensa? Bem, emissoras de TV continuam chamando caras como ele para darem audiência e, por incrível que pareça, eles contam sempre com um grande fã-clube. No caso, ser "machão" recompensa e rende muito dinheiro.

Lá nos anos 60, Roberto e Erasmo faziam piada com ter que "manter a fama de mau", apesar de serem homens sensíveis. Estamos em 2021. As meninas nunca foram mais certas do que querem: descoladas, empoderadas. Um galã boy lixo como ele ainda pode pegar? O pior: temo que sim.

Ele quase ganhou a Fazenda, lembram? Mas é esse o exemplo que a gente quer? As meninas e os meninos merecem ter um cara com uma história dessas como exemplo?