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Nina Lemos

Comportamento após derrota prova que Trump é menino mimado de 5 anos

Invasão do Capitólio é o resultado de um presidente com idade mental de um garoto de cinco anos mimado - Reuters
Invasão do Capitólio é o resultado de um presidente com idade mental de um garoto de cinco anos mimado Imagem: Reuters
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

08/01/2021 04h00

O que uma criança mimada faz quando perde em algo? Ela chora, não aceita, se joga no chão. Quando eu era criança, adorava jogar War com minhas primas. Uma delas, sempre que via que ia perder, puxava o tabuleiro para fora da mesa e gritava: "o jogo acabou!"

Pois isso é exatamente o que Donald Trump vem fazendo desde que perdeu a eleição nos Estados Unidos. Em vez de gritar que o jogo tinha acabado, ao saber que tinha perdido ele foi para o Twitter, seu brinquedo favorito, e gritou: STOP THE COUNT! (pare a contagem!) Não é a mesma coisa?

O resultado de um presidente com idade mental de um garoto de cinco anos super mimado no poder está aí: a criança sem limite incitou uma multidão a invadir o Capitólio, símbolo da democracia americana. Nessa "brincadeira" de mau gosto, quatro pessoas morreram. E Trump, depois de tanto provocar, ficou de castigo, perdeu seu brinquedo preferido: foi bloqueado no Twitter. Teve que ir para o quartinho pensar e ficar 12 horas sem postar. Hoje, o Instagram e o Face avisaram que vão prolongar o castigo indefinidamente. Sim, ele foi expulso do clubinho.

Não é exagero imaginar que ficar sem redes sociais deve ter doído muito mais no presidente do que o fato de quatro pessoas terem morrido.

Trump sempre usou o Twitter como seu brinquedo preferido. E é assim que se faz com crianças, não? Quando eles não aprendem, a gente precisa tirar o brinquedo. Fez malcriação? "Dois meses sem videogame, menino!"

Depois do dia de ontem, onde a brincadeira virou uma tentativa de golpe de estado, Trump acordou jurando que iria se comportar. Não é difícil para ninguém imaginar que o presidente passou a noite levando bronca dos pais e das babás (no caso assessores, colegas de partido). Mesmo assim, ninguém tem certeza de que ele vai se comportar. Eu mesma, duvido.

E quando falo que o presidente dos Estados Unidos é um garoto de cinco anos, sou muito otimista e bondosa com ele. Alguns jornalistas e escritores americanos que acompanham de perto o presidente juram que ele não passa dos dois anos de idade. Existe até um livro sobre isso. Em "The Toddler in Chief", algo como "A criancinha chefe", o jornalista americano Daniel Drezner provou sua tese. Segundo ele, o presidente tem idade mental e capacidade de controle de uma criança de dois anos. Em artigo no jornal "Washington Post" sobre o comportamento do presidente diante da pandemia de Coronavírus, o autor citou algumas dessas atitudes. Entre elas, o fato de o presidente ter reclamado do teste PCR, porque, segundo ele, o cotonete ia fundo demais no nariz. Bem, certamente um comentário de criancinha.

Claro, ninguém está negando o fato do comportamento de Trump ser seríssimo, perigoso. E é claro que ele deve pagar pelos seus atos. O que podemos é ficar atentos e não eleger (mais) crianças pequenas. Isso pode dar errado, ele pode decidir sacudir o tabuleiro de War real. E, como diria o Criolo, "meninos mimados não podem reger a nação".