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Nina Lemos

"Bridgerton": por que a nova série é melhor opção de escapismo do momento

Regé-Jean Page e Phoebe Dynevor são os protagonistas de "Bridgerton" - LIAM DANIEL/NETFLIX
Regé-Jean Page e Phoebe Dynevor são os protagonistas de 'Bridgerton' Imagem: LIAM DANIEL/NETFLIX
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

02/01/2021 04h00

A Netflix não podia escolher um momento melhor para lançar a série "Bridgerton", que estreou dia 25 e já virou febre no Brasil e no mundo. Explico: trata-se de um seriado perfeito para um fim do ano com isolamento social e aumento dos casos de Coronavírus.

Assim como eu você não consegue dormir porque mil problemas e medos começam a passar pela sua cabeça? Bem, agradeça a Netflix por essa e se vicie em "Bridgerton". Não é difícil.

A série, baseada nos livros de Julia Quinn, se passa no século XIX e conta a história de Daphne e outras adolescentes da aristocracia inglesa que estreiam na sociedade e precisam arrumar maridos, com intrigas, romance e alguma crítica social.

O clima lembra os filmes baseados nos livros de Jane Austen, como "Orgulho e Preconceito", ou seja: uma união deliciosa de cenários bonitos com pitadas de feminismo. A criação é de Chris Van Dusen, de Grey 's Anatomy. Alguma dúvida de que vicia?

Veja abaixo alguns motivos que tornam a série um dos melhores escapismos para o momento atual:

  1. As roupas e o cenário

Que maravilha que não precisamos mais usar vestidos longos, espartilhos e andar com graça carregando uma sombrinha, né? Sim, mas ver isso na tela é maravilhoso. Bridgerton tem um figurino lindo e cenários maravilhosos. É uma obra de época super bem produzida.

  1. Ser sobre aristocracia inglesa

Por alguma razão inexplicada, uma das melhores maneiras de fugir da realidade dura é se concentrar na aristocracia inglesa, seja lendo livros e vendo filmes sobre a era Vitoriana ou com "The Crown" e fofocas da família real atual. A aristocracia inglesa é um tipo de calmante natural. Aquelas intrigas em meio a móveis lindos e tapetes é muito relaxante.

  1. O feminismo

A série é cheia de momentos feministas. Várias vezes Daphne reclama de ter nascido mulher e por isso não poder fazer suas escolhas. Sua irmã Eloise é uma menina crítica da sociedade que, ao invés de casar, quer estudar e realizar "grandes coisas".

  1. A diversidade

Surpresa! Essa é uma série com personagens aristocratas brancos e negros. O mocinho da série, Simon, é negro. Isso tem a mão de Shonda Rhimes (de "Grey's Anatomy", "Scandal" e "How to Get Away with Murder"), que produziu a série e é responsável por naturalizar a diversidade em suas séries. O roteirista Chris Van Dusen se baseou nas evidências de que a rainha Charlotte (1744-1818) era descendente de africanos. Essa é uma tentativa (bem-sucedida) de transformar a indústria do cinema mais diversa.

  1. Se passa em uma época distante

Por mais que o século XIX fosse uma época horrível, onde mulheres eram obrigadas a casar com quem não queriam, não podiam votar e não existisse penicilina, não existia Coronavírus. Não era 2020. E ser em uma época distante nos dá uma sensação relaxante de "não tenho nada a ver com isso".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL