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Nina Lemos

Loucura estética: médico faz lipo lad em frango ao vivo no SuperPop

O cirurgião plástico Ronaldo Soares fez uma Lipo Lad uma galinha, ao vivo, no pograma Superpop - Reprodução Youtube
O cirurgião plástico Ronaldo Soares fez uma Lipo Lad uma galinha, ao vivo, no pograma Superpop Imagem: Reprodução Youtube
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

15/12/2020 14h19

Sim, você leu o título dessa coluna direto.

Dois mil e vinte foi o ano em que não saímos de casa, adotamos máscaras como parte do guarda-roupa e o ano em que um cirurgião plástico fez uma lipoaspiração em uma galinha na televisão. E não estou brincando. Isso aconteceu semana passada no programa Superpop, apresentado por Luciana Gimenez na Rede TV e está na internet para quem quiser ver.

O tema do programa era cirurgia plástica. A Lipo Lad (de alta definição) ganhou destaque por ser a nova plástica "da moda". A técnica promete abdômen com gominhos e tem sido adotada por famosas, como Ludmilla e a namorada Brunna Gonçalves, que fizeram a cirurgia durante a pandemia.

O frango pagou o pato

E o que o frango tem a ver com isso? Nada. Mas levar a galinha morta em um programa de TV e passar um aparelho de ultrassom nela foi a maneira encontrada pelo médico Ronaldo Soares para explicar o tratamento.

O bicho estava com pele, o que, segundo o médico, "era muito importante". No programa, ele introduziu um aparelho de laser embaixo da pele da galinha e disse derreter, assim, as gordurinhas (sim, as gordurinhas DE UMA GALINHA!). O corpo da pobre coitada foi exibido para a plateia. "Percebem a diferença?", perguntou o médico. O público e a apresentadora fingiram normalidade diante da cena.

Como vegetariana e defensora dos direitos dos animais, confesso que achei a cena enjoativa. Era só o que faltava. Submeter animais inocentes a esse tipo de tortura. Mas, ok. Pelo menos a galinha estava morta. Vale lembrar que os humanos que se submetem a isso estão vivos. Medo.

A cena foi tão surreal que pensei que poderia ser uma performance de arte contemporânea sobre o corpo da mulher em 2020. Tema da performance: a indústria da estética e a indústria da carne.

Não era. Era propaganda de plástica mesmo. E não é só o uso da galinha morta que torna o fato surreal. A plástica foi vendida como uma alternativa em tempos de quarentena, quando as academias podem estar fechadas ou serem perigosas. Ou seja, por causa da pandemia de um vírus que pode matar, você se submete a uma cirurgia em uma clínica para ter um corpo "ideal" que se você for uma pessoa responsável nem vai poder mostrar por aí. Ah, sem esquecer que cirurgias plásticas, assim como o Coronavírus, também podem matar.

E, ao contrário da galinha do Super Pop, você vai ter feito isso porque escolheu.