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Nina Lemos

Alê Oliveira é o retrato de um tipo de homem que precisa mudar com urgência

Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

10/12/2020 16h36

É só fazer uma pequena pesquisa sobre o comentarista Alê Oliveira, de 47 anos, para ver o tipo de homem que se trata. Só esse ano o comentarista já fez comentários machistas e gordofóbicos. Há três anos, ele foi acusado de racismo.

Hoje, o UOL revela que ele está sendo acusado por sua ex-mulher de violência doméstica e ameaças. A ex, Tereza dos Santos, conseguiu também uma medida restritiva contra ele.

Em mensagens trocadas por Alê com a ex e reveladas pela reportagem, ele chama a mulher de "jumenta", e de "p.., burra". Ele diz também que ela não tem "dinheiro para limpar a bunda".

O jeito como ele se relacionava com a ex é de uma tosquice absurda, cheia de agressividade e ódio.

Depois de ler as ofensas proferidas por ele, a impressão que fica é que ele parece ser mesmo um cara capaz de cometer violência contra mulher.

Segundo a reportagem, a ex-mulher do comentarista, Teresa, registrou seis ocorrências de violência contra ele. Nas mensagens exibidas, ele ofende e ameaça também a advogada de Teresa. Na internet, ele foi exposto pela filha mais velha da ex.

Não conheço Alê. Mas conheço alguns homens como ele. Eles são os machões toscos com orgulho de ser assim, um tipo que ainda resiste no Brasil. Ele é comum em ambientes como o futebol, onde Alê é uma espécie de estrela.

Alê não é um exemplo isolado de masculinidade tóxica desse mundo.

Mas é claro que nem todos os machões são acusados de agredir mulheres. E também é óbvio que eles não estão só no mundo do futebol.

Uma coisa é certa, esse tipo de homem costuma ter ódio a mulheres. Eles não reconhecem isso, já que gostam da filha, da mãe e da namorada. Mas, em geral, esse tipo acha que outras mulheres são tipos que "armam" contra homens.

Em sua "carta de desculpas" (ele mandou um e-mail se desculpando para a reportagem do UOL) Alê diz que é um homem que errou muito, mas que não cometeu crimes. Ele diz ainda que "ainda está em desconstrução".

Seria engraçado se não fosse trágico, mas estar se "desconstruindo" virou uma desculpa comumente usada por homens acusados de violência contra mulher. Sim, a gente espera que vocês se "desconstruam". Mas não só depois de serem acusados de violência contra mulher. Precisa ser antes. Muito antes.