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Nina Lemos

Cardi B criticada por festa de Ação de Graças. E nós, vamos falar do Natal?

Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

01/12/2020 04h00

Quinta-feira passada foi celebrado o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Esse é um dos principais feriados no país que é o recordista mundial de casos de Coronavírus. O tal almoço de Ação de Graças, assim como vemos nos filmes, é data sagrada para reunião de família. Só que algumas famílias são imensas e o país, assim como a Europa, e também o Brasil, enfrenta uma segunda onda da pandemia.

As autoridades de saúde emitiram alertas avisando que as festas poderiam levar a uma explosão de casos e pediu que os cidadãos não fizessem grandes celebrações. Mas nem todo mundo cumpriu, claro. Por causa do feriado, pelo menos 1,1 milhão de pessoas viajaram de avião, batendo um recorde desde que a pandemia começou no país, em março, segundo dados da agência TSA, responsável pelo controle de segurança nos aeroportos.

Caso da cantora Cardi B, que está sendo criticada nas redes por ter feito um almoço para mais de 40 pessoas. Ela pediu desculpas pelo feito e bateu boca no Twitter. Cardi usou o cartão desculpa mais famosos da pandemia: "todos fizeram testes", disse. E ainda afirmou ter gasto um dinheirão com isso.

Vamos lá, de novo. Os testes hoje são muito mais acessíveis do que no início da pandemia, ok. Mas não são ilimitados. E fazer muito teste pode levar a uma lotação dos laboratórios. Já pensou nisso?

Ou seja, normal fazer um teste para ver a mãe, a avó. Mas teste de Covid não é tipo tomar uma aspirina. Ou seja, não é feira da uva. Deve ser feito com moderação.

A rapper deve ser apenas uma das muitas a ter feito um festão. A Ação de Graças é o Natal "deles"... Agora já imaginou o perigo das comemorações de Natal que estão vindo aí? Festas que, tradicionalmente, reúnem toda a família?

Em Berlim, na Alemanha, onde moro, o governo já avisou: as festas de Natal podem reunir no máximo cinco pessoas. Mas e as famílias maiores? Sem negociação. A regra é essa. Se todos vão cumprir já é outra história.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já demonstrou preocupação com as festas de fim de ano. Segundo eles, as aglomerações e viagens devem ser evitadas. Eles recomendam celebrações pequenas, apenas com as pessoas que moram com você.

Fato: havendo ou não ordem dos governos, é só ter um pouco de bom senso para saber que as festas de Natal vão ter que ser diferentes esse ano. Ou você vai querer correr o risco de que haja um surto de Coronavírus na sua família?

Entre os amigos já vi gente que vai visitar os pais, fazendo um protocolo de segurança, pessoas que diminuíram o número de convidados pela metade e muita gente que não vai fazer nada mesmo.

Hoje é o primeiro dia de dezembro e já dá para começar a planejar a festa que talvez você não faça. Sim, as brigas nos grupos de família serão enormes. Mas melhor quebrar o pau no grupo de WhatsApp do que correr o risco de se contaminar e infectar parentes.

Ah, um recadinho para os ricos e famosos: se quiserem insistir em fazer algo errado, ao menos não postem no Instagram jogando o festão e a alegria natalina na cara de quem está isolado em casa. É o mínimo, né?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL