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Demi, Lizzo, Taylor: falar de política é tendência entre jovens artistas

As cantoras Lizzo, Demi Lovato e Taylor Swift: se posicionar politicamente é tendência nos EUA - Reprodução Instagram
As cantoras Lizzo, Demi Lovato e Taylor Swift: se posicionar politicamente é tendência nos EUA Imagem: Reprodução Instagram
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

16/10/2020 04h00

Na noite de quarta-feira (14), quando subiu ao palco do Billboard Music Awards, Lizzo levou a expressão "a moda pode ser política" até às últimas consequências. Ela usava um vestido com uma estampa escrita "vote". A cantora, que venceu na categoria Melhor Artista em Vendas, combinou a roupa com um discurso poderoso sobre opressão. "Eu estaria aqui agora se não fosse pelas grandes mulheres negras que se recusam a ter suas vozes suprimidas?", se questinou.

O look e o discurso de Lizzo são exemplos de uma atitude cada vez mais comum entre os artistas americanos, nesse momento pré eleição presidencial nos Estados Unidos: mais que nunca. artistas deixam de lado o medo de se posicionar politicamente e, por isso, correrem o risco de perderem fãs. Pelo contrário, se abster de tomar um lado em um momento crítico de pandemia mundial, recessão e ameaças autoritárias como o que vivemos é o que parece não pegar bem.

Sim, sempre existiram artistas que se posicionavam como, por exemplo, Jane Fonda, Oprah e George Clooney, nos Estados Unidos. Ou Chico Buarque e Caetano Veloso, no Brasil.

Mas agora, artistas que não se posicionaram sentem que "não dá mais para ficar quieto".

A cantora Demi Lovato, de 28 anos, ex artista da Disney e famosa por suas músicas pop, lançou um novo single essa semana. A música "Commandant in Chief" ("comandante-chefe", em português) é uma espécie de carta aberta ao presidente Donald Trump. Na foto de divulgação, ela usa uma máscara de proteção contra o coronavírus onde está escrito: "vote".

No clipe, lançado na quarta-feira, pessoas de várias idades e etnias aparecem dublando a música, que tem trechos do tipo: "Honestamente, se eu fizesse as coisas que você faz/ Não conseguiria dormir/ Sério, será que você sequer sabe a verdade? /Estamos em um estado de crise, as pessoas estão morrendo/ Enquanto você engorda os bolsos/ Comandante-chefe, como é a sensação de ainda ser capaz de respirar?"

No fim do clipe, novamente, a palavra "vote" aparece na tela preta.

Demi Lovato tem sido criticada por alguns fãs pela tomada de posição, mas, mesmo assim, disse não ter medo de se posicionar. No Instagram, respondeu a uma fã que dizia que a cantora estava "arruinando sua carreira":

"Nós também somos cidadãos do mesmo país e nós somos humanos com opiniões. A diferença entre eu e o tipo de artista que você quer e espera que eu seja (mas me desculpe, querida, nunca serei essa pessoa) é que eu literalmente não me importo se isto [a música] arruinar a minha carreira."

Não é por acaso que Lizzo e Demi usam a palavra "vote". Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório, por isso, apoiadores do candidato democrata e opositores de Trump fazem uma campanha para que mais pessoas jovens votem. Essa é uma estratégia para conseguir derrotar o presidente.

A ídola teen Ariana Grande também usou suas redes sociais para pedir que as pessoas se registrassem para votar. A cantora Taylor Swift, outro ícone da mesma geração, foi ainda mais direta: declarou publicamente seu apoio ao candidato democrata, Joe Biden (veja a segunda foto do carrossel abaixo).

No Brasil, nomes que não costumavam dar opiniões políticas, como Xuxa e Anitta, também passaram a se posicionar.

Se elas perderão fãs? Bem, elas com certeza podem decepcionar alguns, mas ganham credibilidade. Defender valores democráticos como o voto, parece pegar bem nesse 2020 tão complicado. Que assim continue...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL