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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Num date entre duas mulheres, quem paga a conta?

Para muita gente, falar sobre grana logo de cara não é a coisa mais confortável do mundo - iStock
Para muita gente, falar sobre grana logo de cara não é a coisa mais confortável do mundo Imagem: iStock
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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

03/08/2022 04h00

Na semana passada, durante uma entrevista ao podcast "Sua Brother", o ator Caio Castro disse que quando convida uma mulher para jantar faz questão de pagar a conta, mas não gosta, entretanto, de sentir que essa seja uma obrigação.

Pronto. Estava lançada a polêmica.

O assunto foi um dos mais comentados na internet por dias.

Até uma das maiores referências em controle de gastos do país, a Nath Finanças, que é assumidamente bissexual, quis saber quem deveria pagar a conta num date entre duas mulheres.

O que pouca gente sabe é que quando uma mulher chama outra pra sair, elas definem quem paga a conta apostando no par ou ímpar.

Brincadeirinha. Elas jogam pedra, papel e tesoura.

Tô zoando. (Mas dê uma risadinha se você pegou a referência ali.)

Foi só pra quebrar o gelo.

É que, para muita gente, falar sobre grana logo de cara não é a coisa mais confortável do mundo. E eu sou uma dessas pessoas. Já vivi intensos altos e baixos. Tive fases ótimas, de muita estabilidade, e outras em que as moedinhas eram literalmente contadas.

Sabe quando você marca de ir a um bar com os amigos e passa a noite segurando uma única latinha? E você só está lá porque alguém ofereceu carona, senão nem isso? Pois é.

Nessas épocas difíceis, eu aprendi que, por algum motivo, a minha companhia valia bem mais do que o que eu tinha no bolso. Algumas pessoas faziam questão dela. Era bom sentir isso.

Os tempos mudam, os amigos se mudam de cidade, novos ciclos se iniciam. Em fases mais prósperas, tentei retribuir com juros ao universo o que eu já tinha recebido: dei caronas infinitas, paguei rodadas e mais rodadas pra mesa inteira... E, depois, sozinha em casa, me sentia muito trouxa. O que eu estava tentando provar? Para quem? Por quê?

Em dates, essa dinâmica que eu tinha experienciado com amigos e "amigos" ao longo da vida se repetiu inúmeras vezes. Não é tão fácil aprender com os erros, sobretudo porque boa parte dos nossos conflitos a gente só consegue resolver se encarando no espelho.

Eu entendi perfeitamente o que o Caio disse, e concordo com ele. Querer pagar a conta integral num encontro é bem diferente de se sentir na obrigação de fazê-lo, e, sobretudo, de fazê-lo sempre.