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Morango

REPORTAGEM

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Após 13 anos de carreira, ela largou mundo da moda e se tornou agricultora

Após trabalhar durante dez anos no mundo da moda, Luana pediu demissão e foi trabalhar como agricultora - arquivo pessoal
Após trabalhar durante dez anos no mundo da moda, Luana pediu demissão e foi trabalhar como agricultora Imagem: arquivo pessoal
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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

https://universa.uol.com.br/colunas/morango

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

18/05/2022 04h00

Nascida em Belo Horizonte e criada em Ibirité, região metropolitana da capital mineira, Laura Sayda, 25, estreou no mundo da moda quando ainda era criança. Os pais eram comerciantes e a mãe, sócia de uma loja de roupas. "Todos os dias eu estava dentro daquele universo, dentro de uma confecção, vendo de onde saíam as peças. Eu achava tudo isso muito legal", lembra.

Pouco antes da pandemia, Laura começou a questionar a profissão. Pediu demissão da empresa mesmo sem saber o que queria ser ou fazer a partir dali. E então começou a buscar novas perspectivas - de confeitaria vegana à tecnologia e criação de sites -, até que, inesperadamente, no quintal de casa, se conectou com sua verdadeira vocação: agricultura.

De designer de moda a agricultora

'Estou aprendendo a lidar com o tempo e a questão da ansiedade, porque não adianta eu querer acelerar um processo que é da natureza' - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
'Estou aprendendo a lidar com o tempo e a questão da ansiedade, porque não adianta eu querer acelerar um processo que é da natureza'
Imagem: Arquivo pessoal

Aos 15 anos, Laura começou a se dedicar profissionalmente à área de moda e fez vários cursos relacionados ao segmento, de design marketing, e conta ter se sentido muito realizada por mais de uma década.

"Eu trabalhava na criação das coleções. Da compra do tecido às modelagens; da escolha da linha, do botão, às modelos pra fotografia. De toda essa parte dos bastidores eu participava. Trabalhei até os meus 23 lá bem feliz, eu gostava do que fazia. Mas passei a não sentir meu coração acelerar toda manhã com alegria para o trabalho."

Enquanto estudava outras áreas, ela cuidava das plantas por hobby. Um dia, decidiu que plantaria seu alimento. Mas por onde começar? Foi aí que conheceu a agrofloresta. "Decidi que isso seria meu novo trabalho e me tornei agricultora. Não foi fácil, eu não sabia absolutamente nada sobre plantas. Comecei a pesquisar, fiz alguns cursos... Hoje sou a agricultora mais feliz desse mundo, pelo menos do meu mundo, e quero espalhar esse amor pelas plantas, solo e natureza por aí."

A mineira Laura Sayda trabalhou como designer de moda e profissional de marketing até os 23 anos, quando trocou a carreira pela agricultura sustentável - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Laura trabalhou como designer de moda e profissional de marketing até os 23 anos
Imagem: Arquivo pessoal

Inspiração para outras mulheres

No sítio onde mora com o marido em Sarzedo, a 20 minutos de carro de Ibirité (MG), Laura trabalha com agricultura sintrópica, que é o cultivo de frutas, hortaliças, legumes e outras culturas de forma sustentável.

Além de um galo, uma galinha e uma gatinha que apareceu na horta, a agricultora cuida de 14 cachorros. Todos resgatados.

"Desde a adolescência, eu resgato cachorros em situação de rua. Eu ajudava a conseguir lares pra eles, e comecei a pegar alguns pra mim. Quando vim morar no sítio, a população canina aumentou: de seis foram pra 20, 25... Eu sempre resgatei vários animais idosos, então eles foram se despedindo e atualmente eu estou com 14".

A gata também apareceu no sítio e ficou por lá. E o galo e a galinha apareceram esse ano. "Estou até pensando em começar uma criação de galinhas para gente ter ovo pra poder vender", conta animada.

Desde que mudou de ares, Laura passou a compartilhar as novas descobertas no Instagram, onde tem mais de 3 mil seguidores. Na plataforma, ela tem se surpreendido com o retorno positivo, sobretudo de outras mulheres.

"Quando vejo outras mulheres se encorajando, isso faz muito sentido pra mim"

"Quando decidi fazer a minha primeira agrofloresta (sistema que integra plantio de alimentos e faz a recuperação do solo), quis mostrar isso pras pessoas. Mostrar do zero, pra elas acompanharem o crescimento".

Vai fazer um ano que Laura começou a expor sua rotina no Instagram. O objetivo é mostrar a agrofloresta e ensinar a plantar, a produzir o próprio alimento e, segundo ela, as pessoas têm gostado muito. "Sempre mandam feedback falando que estão conseguindo plantar, ou que estão se inspirando, ou que a dica que eu dei salvou a frutinha deles. Isso é muito legal!", celebra.

E completa: "Recebo muita mensagens de mulheres que estão se sentindo encorajadas a pegarem a enxada e a realizarem os sonhos porque estão vendo que outra mulher está conseguindo fazer isso também. Quando eu vejo outras mulheres se encorajando, isso faz muito sentido pra mim. Mostrar a força da mulher sempre foi uma das minhas prioridades."