PUBLICIDADE

Topo

Morango

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

'Demorei 5 anos para chegar pra 1 milhão de seguidores e falar que sou gay'

Mateus revelou publicamente sua orientação sexual em um vídeo que já foi visto mais de 2,6 milhões de vezes - Reprodução/Instagram
Mateus revelou publicamente sua orientação sexual em um vídeo que já foi visto mais de 2,6 milhões de vezes Imagem: Reprodução/Instagram
Conteúdo exclusivo para assinantes
Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

https://universa.uol.com.br/colunas/morango

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

11/05/2022 04h00

"Demorei cinco anos me preparando pra falar abertamente sobre a minha sexualidade, sobre ser gay. Tive acompanhamento psicológico para isso, pra poder falar para as pessoas. Não quis mais omitir, quis ser sincero. Hoje eu já sei lidar com as críticas. E a aceitação foi maravilhosa!", revela o economista e influenciador digital Mateus Baptistella.

No início deste mês, ele revelou publicamente sua orientação sexual em um vídeo que já foi visto mais de 2,6 milhões de vezes e teve mais de 5 mil comentários. Quase todos, extremamente carinhosos.

"Quando postei o vídeo, eu tremia. Tremia, não conseguia abrir os comentários, tinha medo de ler. Depois que comecei a ler, fiquei mais aliviado. Recebi muitas mensagens de apoio e muitas falando sobre como eu estou ajudando a inspirar as pessoas a serem quem elas são e a quebrarem o tabu, né? Porque na minha condição, ter uma deficiência física e ser gay, pra essa sociedade, é muito pesado. A sociedade é preconceituosa demais."

Paulista de Pirajuí, cidade com pouco mais de 25 mil habitantes a 126 quilômetros da capital, Mateus é um fenômeno nas redes sociais - no Instagram, tem mais de 1 milhão de seguidores; no TikTok, mais de 4 milhões.

"Sempre tive que lidar com o preconceito das pessoas com o nanismo, então sempre fui muito reservado com a minha vida pessoal. Com o tempo, percebi que as pessoas se interessavam pela minha história, e perguntavam sobre a minha sexualidade. Só que, por mais que eu já tivesse saído do armário pra minha família, falar sobre isso na internet não era fácil, porque na internet as pessoas te julgam o tempo todo."

Capacitismo na comunidade LGBTQIA+

Mateus tem 1,40 de altura e revela que, por seu tamanho, já sofreu mais preconceito (capacitismo), no meio LGBT que em ambientes heterossexuais. - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Mateus tem 1,40 de altura e revela que, por seu tamanho, já sofreu mais preconceito (capacitismo), no meio LGBT que em ambientes heterossexuais.
Imagem: arquivo pessoal

Aos 18 anos, Mateus saiu de casa para estudar em uma cidade vizinha e começou a conhecer as dores e as delícias da vida adulta. As descobertas, ele quis dividir com o mundo, e assim, lá em 2010 ele criou o blog 'Virei Adulto', onde postava receitas culinárias, dava dicas de limpeza e ensinava economia.

Mateus conciliava a faculdade de economia com o trabalho em uma empresa, onde ficou por oito anos e, por hobby, produzia conteúdo para as redes.

"Pra você começar a ganhar dinheiro com a internet leva tempo, não é assim. Então eu produzia conteúdo pra internet por amor, e trabalhava porque eu precisava me manter. No finalzinho de 2020 larguei o meu trabalho na empresa e hoje só me dedico ao trabalho da internet. Nunca imaginei que ia ter um alcance tão grande, mas é incrível!", celebra o influenciador, que hoje mora em São Paulo.

Mateus contou para a mãe que era gay aos 17 anos, mas só se sentiu confortável para falar publicamente sobre o assunto agora, aos 31. Ao longo desse tempo, o influenciador relata ter recebido inúmeras ameaças de ser arrancado do armário à força, mas orgulha-se de não ter esmorecido.

"Na minha adolescência, foi muito difícil pra eu me aceitar. Mas a partir do momento - que eu lembro até hoje - que eu falei: 'Está tudo bem eu ser gay e ser anão. Não me faz pior ou melhor que ninguém, me faz ser feliz. Daqui pra frente eu não vou me limitar mais!'. Tanto que com 17 anos eu cheguei pra minha mãe e contei. E ela é a pessoa que mais importa na minha vida. Se pra ela tudo bem, eu já não me importei com mais nada. Só queria esperar o momento certo pra chegar na internet e falar sobre. Eu não ia me esconder, mas queria esperar o meu momento, falar por mim mesmo."

Mateus tem 1,40 de altura e revela que, por seu tamanho, já sofreu mais preconceito (capacitismo), no meio LGBT que em ambientes heterossexuais.

"Em toda balada LGBT tem alguma insinuação, risos ou comentários do tipo 'Nossa! Uma criança na balada?!', e sempre vindo de um gay. É que a sociedade inspira as pessoas a serem padrões, então quando uma pessoa está fora do padrão, tenta descarregar o preconceito que sofre em outra. Acho que todos nós tínhamos que nos acolher e nos amar do jeito que somos. Eu me amo do jeito que eu sou, não escolheria ser alto. Que as pessoas se aceitem cada vez mais, e que tenham cada vez mais coragem de ser o que elas são, porque tá tudo bem. Cada um é diferente, e o diferente faz ser normal. Se todo mundo fosse igual, não teria graça."