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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Aos 21, ela lançou o 'Manual da Camgirl Iniciante (e Meio Desesperada)'

Escritora, jornalista e camgirl, Mi Ackerman, 21 anos, revela bastidores do camming em livro - Arquivo pessoal
Escritora, jornalista e camgirl, Mi Ackerman, 21 anos, revela bastidores do camming em livro Imagem: Arquivo pessoal
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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

https://universa.uol.com.br/colunas/morango

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

08/12/2021 04h00

Escritora, jornalista e camgirl há quase dois anos, Mi Ackerman decidiu dividir sua experiência como modelo erótica com outras mulheres que pensam em investir no camming, que é a interação - erótica ou não - por web câmeras.

"Na pandemia, muita gente perdeu o emprego e teve que ficar em casa, então o camming se tornou uma saída", explica a autora.

Nascida em João Pessoa (PB), fluente em inglês e francês, ela traz no "Manual da camgirl iniciante (e meio desesperada) - Um guia de sobrevivência aos primeiros meses como criadora de conteúdo adulto" dicas e conselhos que podem encurtar caminhos e fazer a diferença em algumas escolhas na profissão.

Mi Ackerman - Arquivo pessoal  - Arquivo pessoal
Mi Ackerman, sobre o trabalho como cam girl: 'Você não precisa se expor demais se não quiser'
Imagem: Arquivo pessoal

"Percebi que muitas meninas tinham dúvidas parecidas, querendo saber como começar. Estão no camming há pouco tempo e confusas, com os mesmos problemas, sem saber o que fazer com o nome, como conquistar os clientes, e sem saber finanças básicas, por exemplo. Eu falava a mesma coisa pra todo mundo, várias vezes por dia e por semana. Pensei que um livro seria mais acessível e sanaria as principais dúvidas. Comecei a anotar tudo o que eu já passava pra elas e aqui estamos", conta. Em formato de ebook, o livro custa R$ 10 e é vendido pelas redes sociais da escritora.

'Comecei no camming na fé e na coragem'

"Em fevereiro do ano passado, pouco antes da pandemia, eu precisava de dinheiro e uma amiga me indicou o camming. De uma hora pra outra ela estava recebendo mais dinheiro do que antes. Então eu comecei, na fé e na coragem, sem saber o que eu tava fazendo, e só depois fui desenrolando", revela.

Para Mi, a aceitação da família foi fundamental em sua decisão. "Sempre tive uma família muito tranquila, então sabia que não seria julgada pela minha mãe ou pelas pessoas mais próximas de mim, como meu irmão ou meu pai. Não fiquei receosa de estar fazendo algo errado ou me escondendo, então foi menos assustador do que eu acho que a maioria das meninas passa. Foi menos desesperador."

O maior cachê

Escritora, jornalista e cam girl, Mi Ackerman, 21, revela bastidores do camming em livro - Arquivo pessoal  - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

"Há três meses, num chat privado, passei duas horas e meia com um norte-americano. Acho que foi o dia em que fiz mais dinheiro. Ganhava pouco mais de um dólar por minuto e ele me presenteava o tempo todo. Ele pedia pra eu sorrir e me dava presente. Me pedia pra mudar a música e me dava presente. Tudo o que eu fazia, todos os meus movimentos, ele presenteava (dava gorjetas). Nessa brincadeira, fiz R$ 800. Gosto de gente que entende que é um trabalho e se dedica a agradar também."

Risco de vazamento

Ainda que o vazamento não autorizado de imagens seja crime no Brasil, o controle sobre isso é delicado — e este é um ponto fundamental a ser levado em consideração.

"Não dá pra saber quem tá do outro lado. Tenho clientes que se tornaram amigos e são confiáveis, sei que não vazam material. Mas tem gente que eu não conheço. Aí fica difícil, dá medo. E, sim, às vezes eu penso que, se eu seguir a carreira de jornalista, daqui a alguns anos isso pode me prejudicar. Mas acho pouco provável. Talvez quando eu tiver 30 anos tenha algum material meu vazado, mas vai ser tão pouco importante, sabe?", reflete.

Quando uma mulher tem material sexual vazado, ela fica estigmatizada. Mas esse medo nunca conseguiu me fazer parar porque eu sempre penso que eu nunca vou ser grande o suficiente pra milhares, milhões de pessoas acessarem o meu material, por exemplo. Acho que daqui a 10, 15, 20 anos, a maioria das pessoas sequer vai se lembrar. Mi Ackerman, camgirl

Mi Ackerman, sobre o trabalho como camgirl: 'Você não precisa se expor demais se não quiser' - Reprodução  - Reprodução
Imagem: Reprodução

Cinco dicas para camgirls iniciantes (e meio desesperadas), por Mi Ackerman

- A principal é: não faça o que não se sente confortável pra fazer. Se você curte só venda de conteúdo, vai pro OnlyFans. Se gosta de interação ou ao vivo, vai pro camming, pro Câmera Privê. Mas não faça o que te deixa desconfortável e insegura. Eu queria muito ter ouvido isso quando comecei.

- É importante não entregar conteúdo por qualquer lugar, porque corre o risco de vazamento em grupo.

- Tenha ciência de que você é uma profissional autônoma. Aprenda sobre educação financeira.

- Não se exponha demais se não quiser. Tem menina que faz camming há dez anos e ninguém sabe quem é porque não mostra o rosto. Acho importante a gente lembrar disso, de que não precisa se expor o tempo todo. Se expor não é a única saída.

- Existe a máxima que é: pense em uma segunda opção, porque essa é uma profissão instável. No último ano, os sites ficaram superlotados de modelos. Tenha em mente que um dia você pode sair e não precisa ficar eternamente presa ao estereótipo da cam model.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL