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Morango

REPORTAGEM

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Bissexuais, juntos há 27 anos, eles compartilham experiências nas redes

"Eu era hétero e nunca imaginei que seria apaixonada por mulheres", declara Betina  - Acervo pessoal
"Eu era hétero e nunca imaginei que seria apaixonada por mulheres", declara Betina Imagem: Acervo pessoal
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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

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Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

29/09/2021 04h00

"Nos conhecemos na final da Copa de 1994, em um bar. Ele sentou próximo de mim e ficamos nos paquerando. Depois daquele pênalti pra fora do Baggio, a gente tava se abraçando e, quando nos demos conta, já tava rolando. A química bateu na hora. Nunca tinha transado na primeira vez, mas com ele foi mágico demais. Nos viramos do avesso logo de cara, rolou de tudo. De lá pra cá vivemos muito felizes", conta Betina.

Ela, que é argentina, e Jonas, que é brasileiro, nunca levaram a rivalidade que os dois países têm no futebol para outros campos. "Somos filhos únicos de famílias super tradicionais e seguimos o protocolo certinho: ele pediu minha mão ao meu pai, ficamos noivos, tivemos filhos."

Após 11 anos de união, o marido decidiu revelar algumas de suas fantasias. A principal delas, que outro homem dividisse a cama com eles, um ménage.

"Na primeira vez que ele falou, dei um tapa na cara dele. Foi automático. Fiquei espantada e o 'golpe' saiu de forma involuntária. Aí parei pra refletir sobre minha reação e vi que foi errada, afinal ele queria propor um homem para me dar prazer com ele. Muito melhor que eu descobrir uma traição, por exemplo, não é mesmo?! Aí relaxei e comecei a curtir", entrega.

A partir daquele momento, Betina e Jonas começaram a ter fantasias com seus amigos na cama. Para ela, imaginar o marido com outros homens era extremamente excitante. Ali, as portas de infinitas possibilidades tinham sido abertas.

"Será que ele fantasia me ver com mulher?"

Em pouco tempo, o que era uma reflexão de Betina se tornou um desejo.

"O dia que sugeri uma mulher conosco foi, sem dúvidas, o mais intenso de todos. Surpreendentemente, nossa primeira vez a três não foi com um homem, e sim com uma mulher. Ela acabou virando nossa namorada, o relacionamento durou dois anos. Eu nunca tinha dado sequer um selinho em mulher e me descobri deliciosamente atraída pelo mesmo sexo que o meu. Nesse meio tempo, abrimos o leque para conhecer outros homens e também foi ótimo, mas as aventuras com mulheres são as que mais mexem comigo", confessa.

O que o casal vivia na intimidade era um segredo para amigos e familiares, mas, paradoxalmente, para a internet, não.

Betina e Jonas são pioneiros em exibicionismo nas redes sociais, principalmente no Twitter. No microblog publicam, há mais de uma década, vídeos, fotos e relatos picantes de suas experiências sexuais. O conteúdo explícito compartilhado com os seguidores já fez com que as contas do casal fossem derrubadas inúmeras vezes, mas eles se reinventam. Atualmente, Betina e Jonas podem ser encontrados no Twitter e no Instagram,

Fora do armário

"Faz pouco tempo que revelamos ser bissexuais às nossas famílias, filhos e amigos mais próximos, e fomos super bem recebidos. Aliás, muita gente se abriu conosco sobre seus desejos reprimidos e também suas aventuras. Viramos referência para eles. Já vimos muitos casamentos acabarem por pura bobagem. Recentemente, um casal que conhecemos há mais de 20 anos se separou. Ambos são nossos amigos. Ele revelou que a traía com frequência; ela nos abriu que sempre teve vontade de ficar com uma mulher e tinha medo de propor a ele. Ou seja, faltou diálogo, né?! Era só juntar os desejos."

Enfrentando o ciúme

Betina entrega que, nas primeiras vezes, sentia muito ciúme do marido, mas segurava a onda. "A regra era nunca ficar com outras pessoas sozinhos. Porém, me vi várias vezes tendo momentos com nossas parceiras e não achava justo com ele. Respirei fundo e, em uma de suas viagens, eu o incentivei a levar um amigo junto. Eles ficaram uma semana viajando, e eu passei uma semana com uma amiga. Acabou virando um outro tipo de prazer. Preferimos estar sempre juntos, mas hoje também curtimos essas 'aventuras', como chamamos aqui."

Pais e filhos

Pais de dois rapazes, Betina e Jonas levaram um susto quando descobriram que o filho mais velho tinha descoberto seus perfis eróticos e era um seguidor.

"Fiquei doida, quase apaguei tudo! Mas resolvi falar com ele e ele levou isso com muito carinho. Não só nos apoiou, como é um grande fã. Hoje ele até me ajuda a administrar os canais."

Betina pontua que mesmo com pais tão liberais, o primogênito fez o caminho "tradicional".

"Se casou com uma mulher na igreja e já programa um netinho pra nós. Quanto ao nosso filho mais novo, sempre tivemos certeza que é gay, porém nunca ficamos no pé para que ele se revelasse. De uns tempos pra cá, sentia que ele não estava feliz e ficou claro pra mim que ele estava se reprimindo. Achei que era hora de dar uns gatilhos para ele se abrir, e no final deu certo. Ele estava muito agoniado pois um rapaz estava mexendo com seus sentimentos e ele queria tentar. Apoiamos e adivinha? Estão namorando. São lindos juntos e cá estamos, super orgulhosos", celebra.