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REPORTAGEM

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Ela tem paralisia cerebral e é influenciadora digital: 'luto por inclusão'

Thata Poloniatto é modelo e influenciadora digital - Acervo pessoal/Instagram
Thata Poloniatto é modelo e influenciadora digital Imagem: Acervo pessoal/Instagram
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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

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Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

02/09/2021 04h00

Sucesso nas redes, Thallyta Poloniatto, 26, conquistou um feito vertiginoso: em menos de um ano, chegou a quase 1 milhão de seguidores no TikTok e 100 mil no Instagram.

De Correntina, na Bahia, uma pequena cidade a 900 quilômetros de Salvador, Thallyta se mudou com a família para Trindade, em Goiás, quando ainda era bebê. "Faço fisioterapia desde um ano de idade, quando minha mãe descobriu que eu era diferente. Vim pra cá fazer tratamento, e faço desde então", conta a influenciadora e modelo, que nasceu com paralisia cerebral.

"Nós, pessoas com deficiência, somos capazes de tudo"

"Ter essa deficiência, paralisia cerebral, não para ninguém. Eu sou uma mulher muito independente. Faço comida, cuido da casa, trabalho e tenho vários sonhos. Um deles é ter a minha marca de roupas. Eu queria quebrar esse preconceito, das pessoas acharem que nós, que temos paralisia cerebral, que temos alguma deficiência, não somos capazes de fazer nada. Na verdade, muito pelo contrário, somos capazes de tudo. Tudo o que a gente quer, a gente vai lá e realiza."

O trabalho nas redes, Thallyta começou por acaso. "No ano passado, minha terapeuta ocupacional me chamou para fazer um vídeo contando como era minha vida com a paralisia cerebral, pois o dia 6 de outubro é o Dia Internacional da Paralisia Cerebral. No começo, senti muita vergonha, só que gravei mesmo assim. Ela postou no Instagram profissional dela e pediu para eu postar também. Postei no TikTok e começou a viralizar. Eu nunca imaginei que iria crescer tanto", revela.

A carreira de modelo surgiu e foi impulsionada pelo sucesso como influenciadora, explica Thallyta: "Assim que comecei a crescer, recebi propostas de várias agências.".

Em pouco mais de dez meses, os vídeos de Thalytta, a @thatapoloniatto, já tiveram quase 9 milhões de visualizações só no TikTok.

Entre coreografias e as brincadeiras do momento, as trends, Thatá responde às mais diversas curiosidades de seus seguidores.

- Moça, como você consegue falar tão bem se teve paralisia cerebral?
- Tudo é questão de fisioterapia e fono. Música também ajuda muito.
- Por conta da sua condição, na hora de furar o piercing conseguiu ficar parada? Doeu?
- Pra colocar os piercings, no nariz e no umbigo, eu fiquei deitada pra não me mexer. E ele passou uma pomadinha, não doeu.
- Você pode ter relações sexuais?
- Que eu saiba todo mundo pode.

O lado B das redes: críticas e ameaças

A espontaneidade com que Thatá interage com os fãs é, definitivamente, um dos segredos de seu sucesso. Mas, infelizmente, não são só admiradores que seguem as grandes estrelas da internet - há também os haters.

"Já recebi muitas críticas e até ameaças pelo privado, tanto que tive que ir à delegacia fazer um boletim de ocorrência. Tem gente que fala que eu imito a deficiência de uma outra moça do TikTok, e tem gente que fala que tem vergonha, nojo de mim. Me xingam de nomes bastante pesados", desabafa.

Casada há cinco anos, Thallyta conheceu o marido no terceiro ano do ensino médio. "Ele era o único que me via como uma pessoa 'normal' e aí comecei a gostar dele e me declarei", relembra, entre sorrisos.

Dias atrás, o Ministro da Educação e pastor evangélico Milton Ribeiro afirmou, em uma declaração extremamente capacitista, que "alunos com deficiência atrapalham os demais". Para Thallyta, a segregação de estudantes com deficiência é uma afronta.

"Eu luto pela inclusão e pelos meus direitos"

"Me incomodou bastante. Muita gente acha que devemos aguentar esses preconceitos, críticas e falta de inclusão na sociedade. Nós não queremos ser excluídos. Desde pequena, na maiorias das vezes, eu era muito excluída. Só que hoje eu quero lutar pela inclusão e pelos meus direitos. E quero que todas as pessoas com deficiência façam o mesmo. Nosso lugar não é enfiado dentro de casa assistindo pessoas 'normais' sendo padrão. Padrão para mim é o caráter, não a aparência."