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Ela faz sucesso influenciando outras vítimas de queimadura: "Libertem-se!"

Allana Krysna - Arquivo pessoal
Allana Krysna Imagem: Arquivo pessoal
Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

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Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista do UOL

07/10/2020 04h00

"Todo guerreiro tem suas cicatrizes. As minhas só são maiores. Tenho orgulho de ser quem sou e gratidão a Deus pelo dom da segunda vida", diz a estudante de marketing Allana Krysna. Quando tinha 1 ano e 10 meses, ela foi vítima de um acidente doméstico e teve praticamente metade (47%) do corpo queimado.

"Estávamos eu e minha irmã, então com 4 anos, em casa com a babá. Minha mãe tinha saído pra trabalhar. Minha irmã conta que foi até a cozinha para pegar um doce na geladeira, bateu a porta e acabou derrubando um fósforo. Fui atrás dela, peguei o fósforo e, brincando, risquei na roupa. Eu estava de vestido e moletom, roupa de bebê 100% de algodão, muito inflamável. A babá não deu conta de me socorrer, então chamou os vizinhos, que pegaram uma jaqueta, abafaram o fogo e me rolaram no asfalto, chamando a ambulância. Fiquei 93 dias internada."

Desde então, ela já fez 15 cirurgias, e ainda precisa enfrentar outras. "Pelo menos mais umas cinco", explica.

Infelizmente, casos assim não são raros no Brasil. Anualmente, são registrados cerca de 225 mil acidentes com queimaduras. Oito em cada dez acontecem em casa e metade deles acomete crianças. O levantamento é da Associação Nacional dos Amigos e Vítimas de Queimadura. Os números impressionam e as histórias de quem sobrevive a um acidente grave, muito mais.

Sem vergonha das cicatrizes

Allana Krysna - arquivo pessoal - arquivo pessoal
"Todo guerreiro tem cicatrizes"
Imagem: arquivo pessoal

"Foi uma luta. Foram muitas cirurgias e tratamentos, por isso não tenho vergonha das minhas queimaduras. Quando mais nova, as pessoas me excluíam muito, principalmente na época da escola. Só eram bonitas as meninas ?padrão?. As que tinham corpão, cabelão, que eram brancas... Quando eu chegava em casa chorando, minha mãe falava que eu era linda, independente das minhas cicatrizes, e dizia que quem quisesse fazer amizade comigo não me julgaria pelas minhas queimaduras. Busquei ser quem eu sou e valorizar o que eu acho de mais bonito em mim. Decidi me libertar dos olhares, dos rótulos e das opiniões. Busquei me aceitar. O que me incomoda eu tento mudar, mas por mim, pro meu bem estar e autoestima", diz.

Dores e limitações

Allana Krysna biquíni - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
"Não acabou com meu sonho de ser mãe"
Imagem: Arquivo pessoal

Uma das consequências do acidente que Allana sofreu na infância é a retração da pele, que causa perda de elasticidade e impede, por exemplo, uma gravidez.

"As retrações limitam a flexibilidade de certas partes do corpo. Ao longo da vida eu fui crescendo e as queimaduras retraindo, causando muitas dores e má circulação. A queimadura da barriga foi tão grande que tirou toda a elasticidade, prejudicando uma possível gravidez. Não poder engravidar não acabou com meu sonho de ser mãe. É possível ser mãe de diversas formas."

Sucesso nas redes

Há um ano, a estudante de marketing começou a expor detalhes de sua vida nas redes sociais. A ideia era dar voz ao assunto e influenciar a autoestima de outras vítimas de queimadura. Nesse período, ela alcançou dez mil seguidores no Twitter e no Instagram, onde em breve lança seu canal.

"Me inspirei em outros influencers do Instagram. Eles postam tantas dicas, tantos cuidados com a pele, e eu pensei: ?Por que não juntar isso às queimaduras e, quem sabe assim, ajudar pessoas que já passaram por isso e evitar que outras passem?!? A meta é ser uma blogueira de queimaduras dando dicas de prevenção e cuidados, e influenciando a aceitação e liberdade de expressão. A sociedade sempre vai olhar, vai julgar, vai falar. Então tentar não se importar e se libertar é uma forma de viver bem."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL