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Os segredos inimagináveis de um submisso

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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

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Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista do UOL

23/09/2020 15h37Atualizada em 23/09/2020 19h21

"A submissão pra mim é um fetiche. Na vida real, as mulheres definitivamente me querem ou me desejam como dominador ou líder", dispara Thiago*.

A declaração, que soa meio narcisística, tem algum fundamento: aos 38 anos de idade e com 1,80m de altura, o educador físico tem traços muito semelhantes ao do ator Jamie Dornan, estrela de "50 Tons de Cinza". Isso explica parte do seu sucesso com as mulheres. Até a página dois.

"Eu queria sentir como é ser comido por uma mulher com um cintaralho. Ficar de quatro e levar dela mesmo, em todas as posições", conta ele, que foi casado por três anos.

"Tentei com minha ex e com algumas ficantes, mas elas acharam bizarra a ideia, e eu desisti. Lembro quando minha ex disse que toparia me dominar, mas que depois disso nunca mais me enxergaria como homem. Aquilo foi um baque pra mim", recorda.

Thiago assistiu ao primeiro filme pornô com dominação feminina e inversão de papeis aos 19 anos. A reação inicial foi de repulsa: "Achei nauseante", recorda.

"Aos poucos, foi parecendo excitante ser abusado por uma mulher. Me entregar 100% a uma experiência. Passei a curtir", relata. A partir de então, os desenhos que Thiago fazia por hobby desde a adolescência e tinham temáticas bélicas e místicas, passaram a ser eróticos. "Afloro meu fetiche nos desenhos. Adoro desenhar mulher com um pau."

Sexo virtual

As experiências de Thiago como submisso foram todas virtuais, com mulheres que ele conheceu em salas de bate-papo e aplicativos de relacionamento. Os comandos eram dados por vídeo, pela webcam.

"Elas me mandavam escrever o nome delas no meu corpo, me faziam ficar de quatro e me penetrar, rebolar... Me xingavam, me mandavam beber o próprio gozo... Eu cumpria ordens. Teve uma que me fez enfiar uma escova de dentes. Com pasta ainda. Outra me fazia bater meus sapatos nas bolas", conta.

ilustração para morango - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Ilustração de um submisso publicada no Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

Para Thiago, uma das experiências mais inesquecíveis foi ter sido "comido" por duas mulheres ao mesmo tempo. "Elas eram lindas. Primeiro, pediram pra ver minha bunda. Depois, queriam me ver de quatro. Então me mandaram abrir bem a bunda. Aí pediram pra fazer um movimento de abrir e fechar. Depois queriam que eu me penetrasse. Queriam dedos e, no final, me mandaram gozar num copo e beber. Eu tremia de tesão com a maldade delas. E também pelo fato de ser a puta delas", relata.

"Eu não tenho tesão nenhum no cu. O meu desejo em inversão é todo voltado à mulher, nela sendo dominadora. Sem o elemento feminino, a penetração perde toda a graça pra mim", explica, sobre a ausência de desejo por homens.

Desejo x vaidade

"Sempre fiz de tudo pra tentar um encontro real. A maioria morava longe, e as de perto não queriam. Me dominavam e humilhavam, depois descartavam. Eu ficava triste, mas respeitava. Já ficava feliz pela oportunidade."

Thiago jura que só não contratou uma dominatrix ainda por vaidade. "Gosto de ser desejado. Acho as dominadoras profissionais um tesão, mas ter que pagar quebra o clima. Queria ter a experiência com uma mulher que morresse de tesão em mim, com sexo fetichista, como elas morrem no convencional".

No Twitter, onde é popular e tem 4.000 seguidores, ele expõe seus desenhos feitos à caneta esferográfica, como esses que ilustram a matéria. "Afloro meu fetiche nos desenhos. Talvez porque não realizei. Adoro desenhar mulher com um pau."

Apesar de viver intensamente seu erotismo, o Jamie Dornan brasileiro é surpreendentemente tradicional: "Pretendo me casar novamente. Quero ter filhos, só preciso me estabilizar mais. Quero amar de novo".

* Pseudônimo para, a pedido do entrevistado, preservar sua real identidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL