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Mayumi Sato

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Especialistas dão dicas para não cair em golpe nos apps de pegação

cottonbro/ Pexels
Imagem: cottonbro/ Pexels
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Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista de Universa

20/03/2022 04h00

Assistir ao documentário "O Golpista do Tinder" na Netflix, para mim, foi uma lição de humildade. Ver aquelas mulheres poderosas, belíssimas e inteligentes caindo na lábia de um cara que nem era tudo isso, me fez pensar que, bem, parece que ninguém está imune ao papel de trouxa!

Pensando exatamente nisso - em como é difícil analisar a situação com clareza quando se está vivendo um romance ou uma atração forte por outra pessoa, resolvi reunir dicas de especialistas para não cair em golpes nos apps de pegação. Gustavo Ferreira, head de comunicação do app de relacionamentos liberais brasileiro YSOS, afirma que é importante escolher aplicativos que possuam ferramentas de segurança na hora de dar o match: "Marca d'água inviolável, galeria de imagens privadas, poder de escolha de com quem vai se comunicar, distância de segurança, PIN de acesso, opções de denúncia e bloqueio, entre outras, são ferramentas essenciais para ajudar a proteger as pessoas nas interações virtuais, dificultando ainda mais a ação de quem esteja mal intencionado".

Já o coach de relacionamentos americano Ness Cooper listou cinco itens que, quando identificados, devem servir de alerta para não cair em golpes: entre eles desconfiar de quem pede dinheiro já no começo da relação, declarações exageradas de afeto e falta de informações pessoais.

De acordo com dados do Federal Trade Comission, dos Estados Unidos, as perdas financeiras com esse tipo de esquema resultaram em mais de U$ 300 milhões em 2021, algo em torno de R$ 1,5 bilhão, e esse valor vem crescendo ano a ano.

5 sinais de alerta pra evitar golpes em apps de pegação

A ideia não é desconfiar de todo mundo, mas ficar atenta a esses sinais de alerta ao dar match com um novo crush:

- Bombardeio de amor: ainda que seja super gostosinho se entregar de corpo e alma a uma nova relação, é importante ficar de olhos abertos quando logo no início, a pessoa com quem você está conversando te bombardeia com excesso de carinho e elogio. Ela pode estar tentando controlar a estrutura do relacionamento! Muitas vezes, esse tipo de período super amoroso é seguido de outro cheio de dúvidas que te levam a tomar atitudes para tentar voltar ao que era antes.

- Evitar conhecer e encontrar seus parentes e amigos: se a pessoa está evitando de propósito encontrar pessoas que te querem bem, esse pode ser um mal sinal!

- Se distanciar sem motivo depois de um período de conexão muito forte: o ghosting pode ser uma armadilha pra te fazer desejar cada vez mais retomar aquela conexão. Se você não sabe porque a distância aconteceu, é possível que passe a se culpar a nutra sentimentos negativos contra si mesma. Cuidado, pode ser exatamente isso que a pessoa deseja!

- Pedir dinheiro no início da relação: quando a relação é recente, é fácil que a gente só conheça o lado legal e positivo das pessoas. Em situações assim, também é fácil acreditar em histórias e se compadecer pelo outro, afinal, vocês estão se tornando um casal. Sinal de alerta máximo, já que é preciso tempo e dedicação até que vocês, de fato, estabeleçam uma relação de confiança.

- Evitar responder perguntas pessoais: muitas vezes um golpista evita falar sobre a própria vida para poder saber tudo sobre você. Alguém que te escuta e se interessa pela sua vida é legal, mas é importante que seja recíproco.

Mentiras que as pessoas já ouviram em apps de pegação

Aproveitei para encomendar ao YSOS, um app de encontros para ménage e swing, uma pesquisa sobre os golpes mais comuns na praça e o resultado foi: 72% das pessoas já saiu com alguém que se dizia solteiro e depois descobriu que era casado! 49% marcou um date com alguém que dizia ter muita grana, mas era tudo ilusão, enquanto 47% já caiu no golpe de quem diz que vai representar na cama, e na hora H não dá conta do recado. Por fim, 35% dizem ter caído no golpe de alguém que era mais baixo ou mais alto do que dizia sua descrição no aplicativo. Tudo golpe!

Algumas pessoas aproveitaram para desabafar e contar de ocasiões em que não era amor, era cilada:

"Eu me apaixonei por um cara que era pastor, mas não me falou na hora. Depois de várias saídas, eu já apaixonada, começou a me pedir pra comprar passagens para ir aos cultos, foram dois anos bancando. Quando acordei estava com um prejuízo de mais de 200 mil e ele não tinha como pagar, peguei abuso dele e deixei de amá-lo."

"O pior caso foi um que me levava para sair e criou uma conexão real comigo. Se dizia pai solteiro e cuidador de sua mãe que tinha Alzheimer. Por esse motivo, não tinha muito tempo para sairmos presencialmente. Além do mais, falava que era alemão, me contava várias histórias sobre sua infância na Alemanha e etc. Realmente me cativava, porém quando me interessei por ele e passou a ser além do sexo, fui procurar saber mais sobre a vida dele e, como sou advogada, tenho como fazer isso facilmente. Descobri que era tudo mentira! Ele era casado, com dois filhos, a mãe dele ia muito bem obrigada; o mais próximo que ele passou da Alemanha foi tomando uma cerveja alemã comigo. Fazia anos que eu não cogitava me relacionar com alguém e ele me fez mudar de ideia. Até hoje não sei se ele era esquizofrênico (pois mentia muito bem), mau caráter, ou resolveu bancar o Walter White (ele era muito fã de Breaking Bad). Enfim, o flop."

"Conheci um casal do swing e marcamos de sair para realizar um ménage masculino. Fomos a um restaurante, mas lá o cartão de crédito deles não autorizou, e eu paguei a conta. No motel, a mesma coisa, eles pediram desculpas e eu usei o meu cartão. Até aí, tudo bem! Fui tomar uma ducha, eles ficaram na cama se aquecendo, demorei 15 minutos. Quando saí o cara já estava gozando e ainda disse que não ia rolar sexo da esposa comigo, porque ele percebeu que teria ciúmes. Resumo da opera, não gozei e ainda paguei para eles transarem."

"Usou fotos no Tinder que não eram dele e dizia ter um pênis de 21cm. Na hora era outra pessoa, pau pequeno, gozou em 3 minutos e depois me bloqueou."

"Uma mulher que conheci no Facebook era casada e não me disse nada. Ficamos por meses até que um dia eu descobri e nosso relacionamento acabou."

"A pessoa me mostrou fotos editadas e na hora não se parecia nada com aquilo. Mesmo assim, transamos, e depois ela passou a insistir em outros encontros, me forçando a inventar que eu era homossexual para encerrar a conversa."

"Só saio com dotados! Daí o cara faz photoshop, mente o tamanho, chega no motel e diz que se chupar cresce: sou puta, não milagreira! Eu simplesmente saí do quarto e fui embora, não sou obrigada."

"Ele usava fotos de outras pessoas e tinha todas as redes sociais com as fotos fakes para parecer que não era mentira."

Você já passou por algo parecido, ou não se atentou a todos os detalhes? Deixa a sua experiência aqui nos comentários!

Mayumi Sato