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Mayumi Sato

REPORTAGEM

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Você sabe o que é vaginismo? Especialista explica sintomas e tratamentos

"Vaginismo é um assunto sobre o qual precisamos falar, mas a gente não conquistou um espaço para isso", diz especialista - Prostock-Studio/ iStock
'Vaginismo é um assunto sobre o qual precisamos falar, mas a gente não conquistou um espaço para isso', diz especialista Imagem: Prostock-Studio/ iStock
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Mayumi de Andrade e Silva Sato

Colunista de Universa

16/01/2022 04h00

Quando o assunto é disfunção sexual, o mais comum é lembrarmos da disfunção erétil masculina. Para esse tipo de problema existem remédios, tratamentos e recomendações relativamente acessíveis hoje em dia. Por outro lado, quando falamos em disfunções sexuais específicas do corpo feminino, o acesso a informações e especialistas se torna mais escasso.

De acordo com o Dr. Drauzio Varella, a disfunção sexual feminina, que inclui vaginismo, se manifesta através de dores durante a relação sexual, muitas vezes causadas pelo medo ou estresse excessivo. Já os dados divulgados pela SOGESP, Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, contam que cerca de 17% das mulheres possuem algum tipo de disfunção sexual. Desses, 0,5 a 1% da população feminina em geral sofre com o vaginismo, mas é possível que haja uma subnotificação justamente pelo tabu, que dificulta a abordagem do tema.

Para entender mais sobre o assunto, conversei com a Dra. Débora Pádua, especialista no tratamento de vaginismo. Para ela, um tema com tanta importância deveria ter mais espaço entre médicos e pacientes: "É algo que precisa ser falado, mas a gente não conquistou um espaço para isso", conclui, contando que muitas pacientes enfrentam dificuldades em falar para o próprio ginecologista.

Dor na penetração? Pode ser vaginismo

Sobre as formas de identificar o vaginismo, Débora diz que o principal ponto de atenção é a dificuldade em ter uma penetração que pode ser acompanhada de dor. "Muitas vezes a mulher passa pelas outras fases da sexualidade, em que nas preliminares ela consegue sentir muito prazer, mas no momento da penetração existe uma dificuldade. Algumas conseguem ter a penetração, mas com presença de dor", diz, completando que, em casos mais extremos, há um travamento vaginal que impossibilita a penetração: "O pênis não entra de jeito nenhum".

Falando sobre mitos e verdades, a lista é extensa e preocupante. A médica alerta:

Só relaxar e tomar um vinho, é uma das coisas que os médicos mais indicam para as pacientes, e óbvio que isso não ajuda.

Sobre a indicação de anestésicos, Débora comenta que o uso é extremamente prejudicial, uma vez que as substâncias não inibem contrações involuntárias, o que pode machucar a vagina durante a tentativa de penetração.

O vaginismo interfere na fertilidade, no prazer ou na possibilidade de um parto vaginal?

A médica conta que tanto a gravidez quanto um parto normal são totalmente possíveis. "Uma mulher com vaginismo consegue sim ter um parto vaginal". Mas e o prazer? Ela explica: "Conseguem sentir prazer [...], podem ter desejos e podem ficar excitadas", conclui, dizendo que muitas passam por uma diminuição no desejo por conta da dor.

O vaginismo apresenta sintomas? Segundo a doutora, sim; dificuldade em ter a penetração, presença de dor, ansiedade, medo, contração abdominal e alteração no fluxo respiratório são alguns pontos de atenção para possíveis casos de vaginismo.

Tenho tudo isso, o que eu faço?

Segundo ela, exercícios de respiração ajudam a acalmar, olhar a própria vulva com um espelho a fim de conhecer mais sobre o próprio corpo e ler sobre sexualidade são pontos importantes, mas o mais indicado é procurar uma ajuda profissional para ajudar nesse processo. De acordo com a SOGESP, mais de 80% apresentam melhora com acompanhamento especializado.

E qual a recomendação para quem já identificou o problema, além da busca por profissionais? A doutora recomenda que as mulheres evitem novas tentativas de penetração: "Se já insistiu e não conseguiu, é preferível que ela continue tendo a relação 'do lado de fora', com manipulação, sexo oral, masturbação, sem a tentativa de penetração".

Pergunto se há alguma característica em comum entre pacientes diagnosticadas com vaginismo. Débora me conta que em maioria, mas não se limitando: "São mulheres evangélicas ou que participam de algum tipo de religião um pouco mais rígida com relação à sexualidade", mas é importante lembrar que esse não é um critério de exclusividade, então ao menor sinal dos sintomas, procure seu médico de confiança!

Mayumi Sato