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Mayumi Sato

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Elas ganham dinheiro com suas nudes: "O que mais vende é foto de pé"

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Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista de Universa

25/04/2021 04h00

A pandemia forçou meio mundo a se reinventar e a venda de nudes, ou qualquer conteúdo exclusivo, explodiu de um jeito que ninguém conseguiu prever.

A plataforma mais conhecida, Onlyfans, que antes era voltada exclusivamente a conteúdo adulto amador, hoje está recheada de celebridades e artistas do mainstream. Nessa mesma onda, plataformas similares brasileiras, como o Buupe, vêm surgindo para oferecer um serviço mais acessível a quem, por exemplo, não fala inglês ou não tem passaporte (documento exigido pelos sites internacionais).

Pra entender um pouco mais disso que já se tornou uma profissão, conversei com a Cat e com a Natasha. Ambas não ganhavam dinheiro com nudes antes da pandemia, mas tiveram que se reinventar e hoje tiram boa parte do seu sustento dessa forma:

Como vocês começaram a vender nudes?

Cat: Comecei a vender de forma profissional na quarentena, pois antes eu trabalhava de carteira assinada e usava a venda de conteúdo como um extra. Devido a quarentena perdi meu emprego fixo e comecei a me dedicar com as fotos e montei inclusive meu site, o que facilitou as vendas.

Natasha: Comecei na pandemia. Antes era acompanhante e não tinha a menor vontade de entrar nesse setor, mas com o isolamento em massa migrei e deu certo.

Vendendo nudes na pandemia Cat - Divulgação - Divulgação
Cat
Imagem: Divulgação

Dá para viver da venda de conteúdo ou o ideal é conciliar com outro tipo de trabalho?

Cat: Dá pra viver sim, mas como qualquer emprego exige muita dedicação e persistência para poder ter um bom lucro.

Natasha: Dá sim, sabendo administrar. Eu não sou grande entusiasta do setor, gosto mais de ser acompanhante, mas é bem lucrativo sim.

Como é a sua relação com quem compra o seu conteúdo? E o que vende mais?

Cat: Sempre tento manter um contato de respeito com meus clientes pois sei que eles querem ver meu conteúdo por me admirar e não somente ver uma foto pelada. O pessoal gosta muito de vídeo e fotos mais caseiras pois é mais real.

Natasha: São relações distintas para pessoas distintas, mas acaba acontecendo de virar amigo que consome. No meu caso vendo mais conteúdo dos pés, explícito e trabalho bastante com dominação.

Você indicaria a venda de conteúdo para outras pessoas que também estão precisando se reinventar?

Cat: É algo que só indico pra quem tem cabeça boa pois é muita exposição e mesmo tendo muitos clientes legais, aparecem homens que não respeitam nem um pouco.

Natasha: Sim, sem sombra de dúvidas. Mas ressalto que precisa ter um psicológico bem equilibrado.

Vendendo nudes na pandemia Natasha - Divulgação - Divulgação
Natasha
Imagem: Divulgação

Quais as características essenciais para quem quer se dar bem nisso?

Cat: Estar atenta ao que o pessoal está querendo consumir e estudar muito sobre divulgação.

Natasha: Ser desafiador, desinibido e ter muita paciência.

Pode dar dicas para quem está começando agora?

Cat: Faça mentorias com meninas que já trabalham com isso, esteja preparada para a exposição e se solta! rs

Natasha: Sempre cobrar antes, usar app que não deixe expostos os dados pessoais para receber e se possível sempre utilizar plataforma para venda.

Errata: o texto foi atualizado
Erro de ortografia

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato