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Matheus Pichonelli

Alexandre Frota, guerreiro, do povo brasileiro

Deputado Federal Alexandre Frota (Reprodução) - Reprodução / Internet
Deputado Federal Alexandre Frota (Reprodução) Imagem: Reprodução / Internet
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Matheus Pichonelli

Matheus Pichonelli é jornalista reincidente e cientista social não praticante. Trabalhou em veículos como Folha de S.Paulo, portal iG, Gazeta Esportiva, Yahoo e Carta Capital. Araraquarense, desistiu de São Paulo após 12 anos e voltou a morar no interior, de onde escreve sobre comportamento, cinema, política e (às vezes) futebol.

Colunista do UOL

08/10/2020 04h00

Ex-global, ex-participante de reality show, ex-ator pornô e ex-bolsonarista, o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) deixou a barba crescer e assumiu sua versão homem-bomba.

Se acordasse só agora do coma, o eleitor que bebeu demais na festa da consagração do mito Jair Bolsonaro teria dificuldade em acreditar que o aliado fiel, a quem escolheu como representante no Congresso, acaba de entregar à Polícia Federal tudo o que sabe sobre as engrenagens do linchamento virtual supostamente comandadas pela família do capitão.

O mesmo eleitor, presume-se, pediria para voltar ao sono profundo se soubesse o que disse Renan Calheiros sobre o presidente, a quem atribui o desmonte do estado policialesco da Lava Jato como uma grande contribuição ao país.

Esse desmonte teria como estratégias a demissão de Sergio Moro, a escolha de um procurador-geral da República avesso à República de Curitiba e a indicação de um ministro ao STF aclamado pelo centrão e com trabalhos terrivelmente plagiados.

A fila de dissidentes do bolsonarismo é extensa. É puxada por Wilson Witzel, João Doria, Joice Hasselmann, Major Olímpio e, claro, o ex-juiz paranaense, que hoje estuda mudar de país após servir ao presidente que ajudou a eleger.

Mas ninguém parece mais disposto a fornecer provas, e não só convicções, contra o antigo grupo aliado do que Alexandre Frota.

Em depoimento à PF, ele acusou o também deputado Eduardo Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro de comandarem uma rede de disseminação de ataques e notícias falsas. Os dados entregues às autoridades foram colhidos durante a CPMI das Fake News, da qual é uma das estrelas. As informações, segundo o deputado, mostram a ligação do clã com computadores de onde partiram ataques a integrantes dos Três Poderes e a adversário da família imperial. Os endereços estão à disposição dos agentes.

As investigações identificaram ao menos 33 endereços IP ligados a três funcionários do deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia (PTB-SP) supostamente envolvidos em um esquema de "linchamento virtual", entre eles seu ex-chefe de gabinete. Coisa chique.

Eduardo Bolsonaro seria um "apoiador ostensivo" e difusor de ataques como os produzidos pelo movimento Brasil Conservador contra Joice Hasselmann em alusão a Peppa Pig. Coisa chique (2).

As informações agora estão nas mãos da polícia e podem servir de base a uma acusação formal do Ministério Público.

Caso tenham desdobramentos, poderemos dizer que coube a Alexandre Frota desmontar o gabinete do ódio ao qual um dia se associou. Por essa ninguém esperava.

Em 2019, quando criticou publicamente Fabrício Queiroz, o ex-faz-tudo da família Bolsonaro, Frota tomou um pito privado do presidente, que o mandou fechar a matraca e disse, em tom jocoso, que queria "continuar transando" com ele.

O deputado se negou a fechar a matraca e foi expulso do PSL, partido com o qual Bolsonaro romperia pouco depois.

Como vingança, Frota expôs nas redes a conversa e se juntou a Doria no enclave anti-Bolsonaro. Agora quer vingança contra os herdeiros de quem o humilhou. Com tantas viradas e surpresas no roteiro, esta já é, de longe, a melhor novela que Frota já protagonizou.