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Maqui Nóbrega

Você acha mesmo que vale a pena insistir na monogamia?

Você já parou para pensar por que a monogamia é a forma de amar mais aceitável até hoje? - Getty Images/iStockphoto
Você já parou para pensar por que a monogamia é a forma de amar mais aceitável até hoje? Imagem: Getty Images/iStockphoto
Maqui Nóbrega

Maqui Nóbrega é designer, produtora de conteúdo para internet, feminista, gorda, um pouco chata, bastante legal e nada romântica.

Colunista do UOL

14/07/2020 04h00

Você já parou pra pensar sobre monogamia? Tô falando pensar de verdade, realmente refletir sobre o assunto, em vez de apenas aceitar o que te foi ensinado desde a primeira vez que você demonstrou ter interesse por um carinha da escola. "Você vai encontrar a pessoa certa", "todos têm uma alma gêmea", "vocês se completam": todo mundo já ouviu alguma dessas frases da boca de alguém. A ideia enfiada na nossa cabeça (principalmente se você é mulher) é de que a sua existência só será completa quando encontrar *que rufem os tambores* O AMOR DA SUA VIDA. E vocês viverão felizes para sempre!

Mas, cara, se tem uma coisa na qual o ser humano manda mal, é na monogamia. Me diz aí se você já traiu, foi traída, conhece alguém que já traiu ou foi traído. Estando do lado "certo" ou "errado" da traição, praticamente todo adulto já passou por isso. E se não passou ainda, tenho más notícias, esse momentinho vem aí! Eu me relacionei com um cara durante 10 anos e morei junto por 5, só fiquei com ele durante esses anos todos e ele? Bom, ele deu seus rolês. haha

Fato é: em muitos momentos, eu fui contra o meu instinto e minhas vontades e segurei a onda pra não trair o acordo que tínhamos feito. Não dá pra negar que a vontade existiu, e não foi uma vez só. Claro que viver em sociedade obriga a gente a abrir mão de certas vontades, eu não saio por aí espirrando na cara das pessoas que usam a máscara de proteção no queixo, por exemplo, apesar dessa ser a minha vontade. Mas não acho que a gente deva reprimir todas que aparecem.

Aí você vai me dizer "mas Maqui, existem relacionamentos abertos, poligamia, outros esquemas de amor". E sim, existem mesmo! Mas a quantidade de pessoas inventando novos jeitos de se relacionar é micro, comparada a quantidade de pessoas que casam no cartório todos os dias. Como sociedade, ainda acreditamos que ficar com a mesma pessoa para o resto da vida é o amor verdadeiro. Namoros e casamentos que não duram pra sempre, são considerados namoros e casamentos que deram errado.

Depois que meu casamento acabou (ufa!), eu não conseguia entender porque continuei em um relacionamento que há tempos já não me fazia bem. Não foi só a questão de ser traída, porque eu escolhi "perdoar", e escrevo perdoar entre aspas porque já nem consigo enxergar as atitudes dele como totalmente erradas. Claro que quem trai um acordo é sacana, mas hoje sei que não podia suprir todas as necessidades daquele cara e ele não podia suprir todas as minhas.

Até que a morte nos separe?

O que acontece é que em um namoro tradicional, seu parceiro é o seu tudão e eu achava que ele tinha que ser o meu. Pra entender, fui pra terapia (façam terapia!!!). Pra me aprofundar, comecei a pesquisar de onde, afinal, veio essa história de "até que a morte nos separe". A monogamia não surgiu porque um dia um homem e uma mulher se apaixonaram e acharam que seria melhor nunca mais beijar ninguém. Ela surgiu, entre outros motivos, para controlar a mulher e fazer aquele carinho na autoestima do homem. Pensa bem lá pra trás, se a mulher transasse com quantos caras quisesse, como o homem saberia que o filho que ela estava carregando era dele mesmo? Pasmem, ele teria que acreditar na palavra da mulher! Aí já é pedir demais, né? haha

Existem mil motivos que mantém a monogamia como a forma de amar mais aceitável até hoje e eu nem me proponho a questionar todos eles, porque eu estou vivendo a minha vida de acordo com as minhas vontades e bem feliz com isso, mas o que eu quero com essa coluna é te provocar. Pense, questione, reflita, não aceite como fato tudo o que você aprendeu sobre o que é um relacionamento afetivo. Amor e monogamia são coisas diferentes, então por que insistir em um lance que a gente simplesmente não sabe fazer?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.