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Luciana Bugni

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Feminismo pra quem? Karol Conká detona mulheres que tentam dialogar no BBB

Karol Conká: menos discurso e mais respeito seria bom - Reprodução/ Globoplay
Karol Conká: menos discurso e mais respeito seria bom Imagem: Reprodução/ Globoplay
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista de Universa

07/02/2021 12h52

Acordei cedo e descobri que tinha acontecido mais coisa nessa madrugada de domingo do BBB que na vida amorosa de todos os meus amigos no último ano. Depois de algum esforço, um pouco de vídeo ao vivo e muito Twitter na veia, entendi porque Carla Diaz estava chorando de manhã num quarto.

Karol Conká tinha ido até o lugar onde ela estava dormindo e a atacado por ter supostamente corrido atrás de Arcrebiano, com quem a cantora havia ficado há alguns dias. A atriz afirmava que não estava entendendo nada, que não havia dado em cima do crush da outra, mas só escutou gritos e xingamentos. Um barraco daqueles.

Vii Tubeh já havia tentado ajudar. Tentou falar para Karol que ela parecia estar com ciúme e escutou uma explosão também. Enquanto argumentava chorando que não queria ofender, só quis perguntar para saber como ajudar, Karol gritava e respondia outras coisas. A conversa, assim, não evoluia.

Mas tarde, num papo com Caio e Rodolffo, a cantora disse que Carla tinha feito talaricagem, que é quando uma mulher tenta roubar o namorado da outra. Ela ainda afirma que a iniciativa de ficarem foi de Bill, que as câmeras estavam mostrando — quando, na verdade, as câmeras mostravam ela mesma tomando a iniciativa e não há problema nenhum nisso.

O que a gente faz quando duas mulheres querem ficar com o mesmo cara?

Quando você está querendo ficar com um cara, usa as armas de sedução que conhece. Eu sei, faz tempo para muita gente, mas a gente lembra alguma coisa. Tem mulher que faz a linha discreta e só parte para investir quando percebe algum sinal vindo dele. Algumas fazem a amiga até que a coisa evolua para algo mais, meio na piada, meio no companheirismo — essa era minha tática quando eu estava na ativa. E tem quem seja mais atirada, que deixa suas intenções bem claras. Todas estão certas, cada garota tem seu jeito de conquistar.

Mas a matemática da conquista não é uma ciência exata. Às vezes, tem duas mulheres querendo ficar com o mesmo cara. E aí, também tem vários jeitos de se comportar: se recolher e deixar para lá (afinal, tem tanto homem no mundo... próximo!!!) ou atacar e tentar de tudo para sair vitoriosa (sendo que o troféu seria o cara e, bem, nem sempre vale o esforço).

A bucha é lutar para conquistar o homem, conseguir beijá-lo, ser desprezada alguns dias depois e perceber que não valeu tanto a pena assim. É mais ou menos nesse lugar que está a cantora Karol Conká. Como estão fechados em uma casa, não tem como aplicar o famigerado ghosting. Ele também não quer dizer que não está mais querendo (não sei se quis um dia) e fica se expressando por sinais. Sinais: não encostar na mulher que está dormindo na sua cama, passar dois dias sem falar com ela... Os métodos estão longe de serem os melhores e magoam mesmo.

Karol está chateada e não reagiu bem à rejeição. Ela quis jogar sua raiva para cima de alguém: depois de beber um pouco, foi culpar Carla Diaz, que afirmou que nunca deu em cima dele. Não há registros de imagens ou diálogos que dessem a entender isso. Disse inclusive que ele estava servindo de cupido para sua relação com Arthur.

Karol xingou, disse que iria "capotá-la", a acusou de falsa pela sua profissão, menosprezou sua carreira, citando a novela Chiquititas com desprezo. Calou as tentativas de Carla de colocar tudo a limpo nas intrigas que foram armadas por ela mesma, agora se fazendo de vítima. Gritou mais. E seguiu dizendo aos colegas que foi traída pela outra mulher. Eita.

O feminismo é mais simples que parece

Tudo que aconteceu na madrugada mais animada da pandemia, em pleno Projac, causa uma grande confusão acerca do termo feminismo. Karol afirma que é feminista, mas está numa cruzada contra uma moça que realmente não parece ter feito nada. Quando é maltratada por um homem, se volta contra a mulher ao lado. Não escuta, não dialoga.

É muito mais simples definir o feminismo como empatia e respeito. A gente escuta o outro e tenta entender. Mas isso só é possível se não estivermos falando mais alto o tempo todo.

Não há espaço de silêncio para Karol pensar em suas próprias atitudes. Em vez de se exaltar ("carreira foda, famosa, bonita, apartamento de luxo" e outras coisas das quais ela gosta de se gabar), ela podia olhar para o lado e ver que pensar tanto em si não deixa o mundo melhor.

Nas primeiras semanas do programa, fiquei impressionada em como Karol havia me enganado há dois anos, quando eu e a repórter Luiza Souto passamos uma tarde com ela. Eu achei que ela se importava com os outros. Na casa, aconteceu o mesmo: quase todos se convenceram de que ela estava certa em todas as presepadas criadas. A maioria motivadas por egoísmo. E egoísmo e feminismo não conversam muito bem, não. Mas aí passaram algumas semanas, e alguns pontos ficaram mais claros: não dá para enganar todo mundo o tempo todo.

Karol diz que Juliette fala demais, mas não respira para pensar que o mundo não gira ao redor dela. Assim a gente não faz um mundo mais feminista. Muito menos um mundo melhor.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL